30/07/2003 - 7:00
Tão difícil quanto descobrir um computador que não tenha o sistema operacional Windows é encontrar uma mesa de operações de um banco ou de uma corretora sem os terminais da CMA. Essa espécie de Microsoft das finanças domina o mercado brasileiro de informações, análises e processamento de operações. São cerca de 12 mil pontos em operação, espalhados por quase 3 mil clientes. Números de fazer inveja às principais concorrentes, como a britânica Reuters e a americana Bloomberg. Juntas, as duas gigantes não têm mais de 2.500 terminais no País. Por esses monitores é possível acessar agências de notícias, fazer cálculos financeiros, acompanhar o mercado de ações, moedas e títulos, ver gráficos e análises técnicas de papéis e, o mais importante, realizar as operações de compra e venda em tempo real. ?O terminal é o cérebro da mesa de operação?, compara o engenheiro Romualdo Jose Salata, diretor geral da CMA. ?Por isso, temos de estar sempre oferecendo produtos com mais funções e mais tecnologia.?
Fundada em 1973, a CMA foi uma das pioneiras na área de teleprocessamento de dados no País. A reserva do mercado de informática ajudou a companhia a crescer. Um trabalho de automatização em uma corretora paulista levou a empresa à Bolsa de Mercadorias & Futuros, onde desenvolveu um software para o pregão e o processamento final (clearing) das operações. Depois, vieram contratos com outras corretoras, bancos e com as Bolsas de São Paulo e do Rio. ?Fomos a primeira empresa de transmissão de dados em tempo real do Brasil?, lembra Salata. Para driblar as limitações das redes de telecomunicações daquele tempo, a CMA desenvolveu um sistema de transmissão de dados financeiros via ondas de rádio FM. Para chegar ao Interior, a alternativa foi criar um sistema parecido, mas usando canais das emissoras de TV que podem ser captadas por antenas parabólicas. ?Até hoje temos clientes que recebem os dados por parabólicas?, afirma Salata.
O fim da reserva de informática e das fronteiras para os investimentos acirrou a disputa no mercado de terminais financeiros. Embora ainda tenham um desempenho modesto no País, as multinacionais Reuters e Bloomberg são concorrentes de peso. Com aproximadamente 1.500 terminais instalados no Brasil, a operação local da Bloomberg tem um faturamento anual estimado em US$ 2 milhões. Por US$ 1.350 mensais, o cliente da Bloomberg leva um pacote que inclui notícias financeiras, análise de risco e ferramentas de negociação (trading). ?O mercado está crescendo?, diz Daniel Parke, diretor da Bloomberg para a América Latina. ?Nossas vendas estão em alta com a abertura de novas posições em bancos, corretoras, e com o surgimento das butiques de investimento.? O mesmo acontece com a Reuters.
Depois de amargar um prejuízo US$ 116 milhões no ano passado, a agência britânica encerrou o primeiro semestre com um lucro global de US$ 139,5 milhões. A empresa não divulga dados sobre o desempenho no mercado brasileiro, onde oferece produtos de US$ 300 a
US$ 1.150 por mês, dependendo da configuração exigida pelo cliente. Mas segundo Rafael Yasoshima, diretor de vendas da Reuters no País, o mercado está se recuperando. ?O ano passado não foi bom, pois houve muitas fusões e saídas de bancos do País, além da implantação do Sistema de Pagamentos Brasileiros, que adiou projetos?, observa Yasoshima. ?Para 2004, porém, esperamos um desempenho melhor.? Apostando em dias melhores, tanto Reuters quanto Bloomberg lançaram recentemente novos produtos no mercado nacional. A CMA respondeu com um novo modelo de terminal. Sua principal novidade é um operador automático, que compra e vende papéis de acordo com a estratégia do cliente.
Moeda local. Com ou sem crise, o cenário é favorável à CMA. Como a maioria de seus custos é em moeda local, a empresa também cobra em real. O custo por terminal varia de R$ 264 a R$ 1.500 por mês, de acordo com a quantidade de pontos e dos serviços contratados. Embora a CMA não divulgue seu faturamento, especialistas nesse mercado estimam que a receita anual da empresa seja da ordem de R$ 20 milhões, incluindo suas operações nos Estados Unidos, Espanha, Argentina, Chile e Uruguai. ?É na crise que os administradores de recursos mais precisam das empresas de informações financeiras?, filosofa Salata. Quando o assunto é ganhar dinheiro, ninguém faz questão de economizar.