A Comissão Mista do Orçamento (CMO) aprovou nesta quinta-feira, 3, o  relatório preliminar do Orçamento de 2016. Mesmo após ajustes, o texto  ainda tem uma diferença de R$ 10,4 bilhões em relação à meta, que  precisa ser coberto até o fim da tramitação.

Para que seja  cumprida a meta superávit vigente de R$ 34,4 bi – em um cenário previsto  de déficit de R$ 30,5 bilhões em 2016 na proposta enviada pelo governo –  seria necessário um esforço fiscal de R$ 64,9 bilhões. Após ajustes nas  contas do relatório, acréscimos de receitas, como a da CPMF, e  cancelamento de despesas, ainda faltam R$ 10,4 bilhões para fechar a  conta.

De acordo com o relator geral do texto, deputado  Ricardo Barros (PP-PR), um impasse entre Câmara e Senado no projeto de  repatriação de recursos, que ainda tramita no Congresso, pode aumentar  esse buraco para R$ 20 bilhões. O texto aprovado na Câmara prevê a  destinação de R$ 10 bilhões em multas para Estados e municípios.

O  Senado optou por destinar para o fundo de compensação do ICMS, o que  poderia colaborar com o superávit e foi incluído na conta do relatório  na CMO. “Se a Câmara votar ao contrário e voltar à posição de manter  (esses recursos) para Estados e municípios, o valor vai cair do  orçamento”, explicou.

Bolsa Família

No  total, foram apresentadas 54 emendas ao relatório preliminar. De acordo  com Barros, foram aceitas todas as emendas que genericamente pediam  autorização para ajustes setoriais. O pedido apresentado pelo líder do  governo na CMO, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), para manter os recursos  previstos para o programa Bolsa Família, foi rejeitado.

O  relator voltou a defender um corte no programa, no valor de R$ 10  bilhões, montante parecido com o que resta para fechar a conta da peça  orçamentária. “Ninguém vai acabar com o programa, nós queremos acabar  com os excessos do programa”, disse, antes de afirmar que auditoria da  Controladoria Geral da União (CGU) aponta que apenas 61% dos usuários do  Bolsa Família estão dentro da renda autorizada pela lei para ter  direito ao benefício.

Cronograma

Até  segunda-feira, 7, os 16 relatores setoriais deverão apresentar seus  pareceres, como os de Educação, Saúde, Trabalho e Previdência, que vão  compor o parecer final. Após a votação desses relatórios, o colegiado  pode ter acesso ao relatório final do Orçamento de 2016 na terça-feira,  8, para que a votação pelos membros da CMO ocorra até a terça-feira  seguinte, 15.

A data cairia já na última semana dos  trabalhos legislativos deste ano, antes do recesso. Em tese, o projeto  final seria votado em plenário no dia seguinte, quarta-feira, 16, quando  a presença de parlamentares no Congresso costuma ser mais alta.