As discussões sobre o tamanho do impacto da escala 6×1 estão longe de ter um fim. Entre as principais perguntas ainda sem uma resposta clara estão: qual será o tamanho do impacto financeiro da mudança e quem vai pagar a conta caso o projeto seja aprovado.

Nesse sentido, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acaba de emitir um parecer técnico-econômico que uma redução na jornada de trabalho para 36 horas semanais demandaria R$ 358,1 bilhões por ano em ajustes no atendimento ao público e contratação de pessoal adicional.

Desse total, R$ 122,4 bilhões seriam gastos pelo comércio e outros R$ 235,7 bilhões pelo setor de serviços. Os valores seriam usados para que as empresas contratassem novos funcionários ou pagassem ajustes para manter o atendimento ao público funcionando com o quadro pessoal que existe hoje.

Nos cálculos da CNC, o custo adicional provocaria um aumento imediato de 21% na folha de pagamento do setor. Como a lei não permite baixar o salário dos atuais empregados, as empresas teriam esse gasto extra para cobrir o tempo em que o trabalhador deixaria de estar na loja.

+Após pressão indígena, governo oficializa revogação de decreto sobre hidrovias

+Esposa de Eduardo amplia racha no bolsonarismo ao defender marido de fala de Nikolas

“O setor de comércio é um dos maiores empregadores do país, com mais de 10 milhões de trabalhadores formais. Atualmente, 93% desses trabalhadores cumprem jornadas acima de 40 horas semanais. Esse debate e a avaliação dos projetos de lei devem ser técnicos antes de ser político”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Impactos para o consumidor

O estudo da CNC mostra que o aumento de 21% nos custos com funcionários para o setor, inevitavelmente, seria repassado aos consumidores. Os cálculos apontam para uma elevação média de 13% nos preços de serviços e dos produtos nas prateleiras.

Em termos de rentabilidade, a perda com a mudança na jornada é estimada em R$ 73,31 bilhões, apenas no comércio e no setor de serviços. 

“Esse valor é tão alto que supera em mais de R$ 2 bilhões tudo o que o comércio brasileiro vendeu no Natal de 2024, data com o maior faturamento do setor”, afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

O estudo conclui que, sem o aumento da produtividade para compensar os custos, a medida pode forçar as empresas a demitirem funcionários, aumentarem o uso de tecnologias para substituir pessoas ou até empurrarem trabalhadores para a informalidade, dificuldade que já atinge cerca de 50% do setor.