29/09/2004 - 7:00
Quem passa pelo sobrado branco de número 2.226 da rua Alvarenga, Zona Oeste de São Paulo, nem desconfia que ali mora o futuro da genética. Na fachada se lê CordVida e em letras miúdas ?laboratório de congelamento de sangue de cordão umbilical e de placenta?. Congelamento de quê?! O serviço do laboratório funciona da seguinte maneira: assim que uma criança nasce, uma enfermeira da CordVida retira o sangue do cordão umbilical e da placenta. Em seguida, o sangue é levado para o laboratório, passa por um processo de decantação, é congelado e armazenado. Pronto: as células-tronco da criança já estão devidamente guardadas a -196°C. Os pais dispostos a preservarem o sangue de seus bebês para futuras emergências (como um transplante de medula óssea, por exemplo) pagam uma taxa de ingresso de R$ 3,5 mil e anuidade de R$ 690. O congelamento das células-tronco vem ganhando adeptos no Brasil e está sendo encarado como a promessa de cura de doenças, como o câncer e a osteoporose. ?Esse é um nicho novo e tem um incrível potencial?, diz Andreas Klien, sócio da CordVida.
Prova disso é que a empresa, em cinco meses, já conta com 200 clientes. E se os números continuarem crescendo, o retorno do investimento virá em três anos. O empresário, herdeiro da Fink, desembolsou US$ 2,5 milhões para montar a CordVida. ?Para quem tem dinheiro e há uma tendência na família em desenvolver certos tipos de doença, não há motivos para não investir?, atesta o dr. Salmo Raskin, geneticista e membro do Projeto Genoma Humano no Brasil. A CordVida é a mais nova representante desse mercado no Brasil, que movimenta R$ 30 milhões. Mas não está sozinha. No total, existem mais cinco empresas privadas que realizam o mesmo trabalho no eixo Rio-São Paulo. Uma delas é o Hospital Albert Einstein, que promete estender o benefício à população com menor poder aquisitivo. Há um projeto para montar o primeiro banco público do gênero: o BrasilCord, com investimentos de US$ 10 milhões. ?A diferença é que no banco público você doa mas não sabe quem vai receber?, explica a dra. Luciana Luppi, uma das coordenadoras da CordVida. Há ainda a vantagem de dar acesso a toda a população a uma das mais promissoras invenções da ciência. ![]()
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