No começo do ano foi o tomate que desempenhou o papel de vilão da inflação. O estrelato durou pouco, já em agosto o produto estava em sua faixa normal de preços, após ter chegado a R$ 10 o quilo em algumas regiões do País. Neste momento, quem chama a atenção é o leite que apresentou em agosto a maior alta de preço em seis anos, cerca de 20% ao produtor, o que fez o produto aumentar 3,75% nas prateleiras.

No mês passado, o preço do litro chegou a custar R$ 1,08 aos beneficiadores e R$ 3 ao consumidor final. Foi inclusive o leite longa vida que contribuiu para que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto tivesse um crescimento de 0,24%. O principal motivo é o frio intenso registrado em julho, principalmente no Sul do Brasil, que fez com que fosse produzido praticamente metade do que o mês de julho. 

 

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Condições climáticas desfavoráveis e a entressafra prejudicaram a produção pelo País  

 

Diferente do tomate, o leite alimenta uma cadeia muito mais complexa e abrangente que inclui de iogurtes a biscoitos e massas. Gilberto Braga, professor de economia do Ibmec, explica que o produto é um dos mais presentes na mesa do brasileiro e também sofre influências do mercado Externo que também produziu menos leite. Além disso, a importação do leite caiu 11% por problemas de produção na Nova Zelândia e Canadá, um dos maiores vendedores ao Brasil.

 

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Produção está sujeita a mudanças no mercado internacional

 

?Uma das coisas que o governo mais se vangloriou foi de ter levado alimentos como iogurtes para a mesa dos brasileiros e, nesse momento, esse tipo de produto é um dos mais afetados. Todos os derivados sofrem com o aumento?, afirma Braga.  O especialista explica que sempre que situações como essa acontecem o governo tem de agir com uma medida de incentivos para que os criadores de gado não desvirtuem sua produção e direcionem novas matrizes à produção de leite. 

 

Segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, a expectativa de representantes de cooperativas consultadas é de estabilidade nos preços em setembro. Entre os compradores entrevistados, 66,7%, que representam 73,1% do leite amostrado, acreditam que os preços continuarão no mesmo patamar de agosto e 31,2% (que representam 26,4% do volume captado) indicam que haverá nova alta.

 

 

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