O comandante militar das forças americanas no Oriente Médio teve que admitir nesta quarta-feira perante o Senado, em Washington, a incapacidade em formar uma força militar rebelde síria confiável e numerosa para enfrentar o grupo radical Estado Islâmico (EI).

“Os que estão efetivamente em combate… Estamos falando de quatro ou cinco”, disse o general Lloyd Austin, durante interrogatório da Comissão das Forças Armadas do Senado, presidido pelo republicano John McCain.

“É uma brincadeira”, comentou a senadora republicana Kelly Ayotte a respeito desta informação.

“Um fracasso total”, foi além seu colega republicano, Jeff Sessions.

A cifra ridiculamente baixa alimenta aqueles que nos Estados Unidos fazem críticas à ineficácia do governo Obama em enfrentar o Estado Islâmico, enquanto dezenas de milhares de refugiados tentam chegar à Europa.

O problema “não é que não fazemos nada contra o grupo Estado Islâmico. É que não há nenhuma razão óbvia para acreditar que tudo o que estamos fazendo será suficiente”, sentenciou o senador John McCain.

A respeito da Síria, o Pentágono anunciou um programa de princípios de um ano com o objetivo de formar 5.000 combatentes no primeiro ano, com um custo estimado em 500 milhões de dólares.

Mas apenas 54 combatentes foram treinados até agora e a maioria deles foi atacada por um grupo vinculado à rede Al-Qaeda em sua chegada à Síria. Uma centena está atualmente em cursos de formação.

McCain e muitos republicanos estão pressionando a administração Obama para engajar ainda mais o exército americano no combate ao EI.

O senador pelo Arizona e ex-candidato à Presidência defende, por exemplo, o envio de forças especiais americanas ao terreno para guiar os ataques aéreos da coalizão internacional.

Mas o governo Obama se aferra firmemente ao objetivo de não deslocar tropas americanas no terreno e acredita que as operações terrestres devem ser deixadas sob a responsabilidade exclusiva das forças locais, com o apoio dos ataques aéreos da coalizão. Esta estratégia funciona em alguns lugares, argumentou o general Austin diante dos senadores.

O general informou, no entanto, que no nordeste da Síria as forças curdas e mos grupos árabes “fizeram um trabalho extraordinário”, expulsando o EI de grande parte da fronteira com a Turquia.