Combates entre partidários e opositores do presidente do Iêmen deixaram pelo menos 11 mortos e 54 feridos no aeroporto internacional de Aden e na própria cidade, no sul do país.

Um avião de combate tentou atacar nesta quinta-feira o complexo do palácio presidencial de Aden, o que levou à transferência a um local seguro do presidente Abd Rabo Mansur Hadi, indicaram fontes de segurança e da presidência.

Na noite de quarta-feira explodiram confrontos entre unidades das forças especiais, dirigidas pelo general rebelde Abdel Hafed al Sakaf, e membros dos “comitês populares”, que apoiam o Exército em defesa do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, indicaram nesta quinta-feira fontes de segurança.

As unidades rebeldes das forças especiais finalmente foram obrigadas a se retirar, e o general Sakaf precisou fugir nesta quinta-feira, depois que as forças leais ao regime retomaram o aeroporto, indicou à AFP o governador de Aden, Abdel Aziz Ben Habtur.

Sete membros das forças especiais morreram e 23 ficaram feridos, indicou à AFP uma fonte próxima ao general Sakaf, enquanto um funcionário dos comitês populares lamentou a morte de quatro de seus homens e 31 feridos.

As tropas do Exército leais a Hadi, apoiadas por tanques e blindados, entraram no aeroporto para ajudar os “comitês populares”, explicou à AFP uma fonte militar.

A intensidade dos combates provocou o cancelamento dos voos programados para a manhã e o tráfego aéreo ainda não havia sido retomado no meio do dia.

Os tiros tinham como alvo a torre de controle do aeroporto, segundo testemunhas

“Submetidos a um intenso bombardeio, os homens de Sakaf se viram obrigados a recuar para seu acampamento”, ao norte do aeroporto, acrescentou a mesma fonte.

No fim da tarde, as forças leais ao presidente tomaram o acampamento rebelde, e também duas bases de soldados do general rebelde em Aden, indicaram à AFP fontes de segurança.

Pouco depois, um avião de combate tentou atacar a residência de Hadi, mas as forças de segurança, que fizeram uso da defesa antiaérea, afirmaram que a aeronave não havia conseguido atingir o palácio.

“O presidente Hadi foi levado a um local seguro, mas não deixou o país”, disse à AFP uma fonte da presidência.

O governador de Aden indicou que Sakar havia fugido sem informar seu paradeiro.

Mas uma fonte de segurança afirmou que Sakar havia se entregado ao governador de Lahj – ao norte de Aden – Ahmed al-Majidi, que havia se oferecido para atuar como intermediário entre o militar insurgente e o presidente.

O general rebelde negou-se a ser destituído pelo presidente e se aliou aos rebeldes xiitas hutis, que desde o início de fevereiro têm o controle da capital iemenita.

Hadi havia chegado a Aden no dia 21 de fevereiro depois de fugir de Sana, onde se encontrava sob prisão domiciliar custodiado por esta milícia xiita.

Fora do aeroporto, na própria cidade de Aden também foram registrados incidentes durante a noite.

Um membro das forças especiais morreu e outros quatro ficaram feridos em outro confronto com os “comitês populares”, que informaram sobre três feridos, perto de um complexo da administração local no centro da cidade.

Os comitês prenderam 15 membros das forças especiais que estavam em frente ao escritório local do banco central do Iêmen, indicou à AFP uma fonte das forças especiais.

Os combates tiveram início após a mobilização de unidades do general rebelde Sakaf em vários eixos viários, também perto do aeroporto.

Por outro lado, na quarta-feira Abdel Karim al Khiwani, um conhecido jornalista encarregado de informar sobre a milícia huti, foi assassinado em Sana. O grupo Ansar al-Sharia, braço local da Al-Qaeda, reivindicou a execução.

Al Khiwani obteve em 2008 o prêmio especial da Anistia Internacional para os jornalistas em perigo.