O comércio entre Brasil e Estados Unidos sofreu um revés significativo em 2026, com uma queda acentuada nas exportações brasileiras para o mercado americano, impactadas diretamente pela política tarifária agressiva implementada pelos EUA.

Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 24,1 bilhões, representando uma retração de 9,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa diminuição marca o menor valor para o período desde 2023, evidenciando o efeito das barreiras comerciais.

O que aconteceu

  • Comércio Brasil EUA registra queda histórica de 9,7% nas exportações brasileiras, somando US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.
  • A retração é atribuída à política tarifária agressiva americana, que impôs sobretaxas de 25% a 50% em diversos produtos.
  • Setores como indústria extrativa, agropecuária e de transformação foram duramente afetados, contrastando com o crescimento para outros mercados globais.

Impacto das tarifas americanas no comércio

Segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat, o recuo de US$ 2,6 bilhões nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano sublinha a gravidade da situação. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, ressaltou que o comércio bilateral está em trajetória de retração em 2026, com perdas para ambas as economias.

“Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirmou Neto. A busca por alternativas é crucial para reverter esse cenário negativo e retomar o crescimento das trocas comerciais, um tema frequentemente debatido em negociações comerciais entre os dois países.

Em agosto, as exportações brasileiras aos EUA registraram um crescimento de 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025. Contudo, essa alta foi acompanhada por uma queda de 17,3% na quantidade exportada, atingindo o menor nível para um mês de agosto desde 2021. Este fenômeno, explica a Amcham Brasil, foi sustentado pelo aumento dos preços médios, embora alguns produtos específicos, como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café, tenham apresentado volumes maiores.

A associação destacou que a comparação se dá sobre uma base já impactada pelas tarifas adicionais de 40% e 50%, implementadas pelos Estados Unidos a partir de agosto do ano passado. “Apesar do crescimento das exportações em valor em agosto deste ano, os produtos atualmente sujeitos às sobretaxas mais elevadas, de 25% a 37,5%, registraram queda de 10,5%”, informou a Amcham.

Quais produtos mais sentem o efeito das sobretaxas?

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações dos produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% sofreram uma retração ainda mais acentuada, de 29,1%, caindo de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Considerando todos os bens com sobretaxas, a queda foi de 11,4%, enquanto os produtos sem sobretaxas recuaram 8,3%.

Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas exportações para o mercado norte-americano no acumulado do ano. As maiores retrações incluem madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%).

Do lado das importações, agosto marcou o segundo mês consecutivo de crescimento, após sete meses de retração. As compras brasileiras de produtos norte-americanos avançaram 1,1% no mês, mas, no acumulado do ano, permanecem em queda.

Setores brasileiros e a retração nas exportações

O Monitor da Amcham Brasil revela que a retração das vendas brasileiras para os Estados Unidos no acumulado do ano atingiu os três grandes setores da economia: indústria de transformação, indústria extrativa e agropecuária. Este cenário contrasta fortemente com o desempenho das exportações brasileiras para os demais mercados, que registraram crescimento em todos os setores.

Entre janeiro e agosto, as exportações da indústria de transformação para os Estados Unidos caíram 4,9%, enquanto as vendas do setor para o restante do mundo cresceram 6,6%. Na indústria extrativa, as exportações para os Estados Unidos recuaram 28,9%, ao passo que avançaram 19,6% para outros mercados. Na agropecuária, os embarques para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto cresceram 9,5% para o restante do mundo.

A indústria de transformação, responsável por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, registrou a primeira retração das vendas ao mercado norte-americano desde 2020, com a queda de 4,9%. Mesmo com o recuo, os Estados Unidos ainda se mantêm como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 15,5% do total.

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis registraram queda. Em quatro deles, a retração no mercado norte-americano ocorreu em contraste com o crescimento das vendas para o restante do mundo: petróleo bruto (-31,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%).

Principais números (Jan.- Ago. de 2026):

  • Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 24,1 bilhões (-9,7%)
  • Importações Estados Unidos → Brasil: US$ 27,3 bilhões (-8,6%)
  • Déficit brasileiro: US$ 3,2 bilhões
  • Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões (-8,3%)
  • Bens com sobretaxa: US$ 11,0 bilhões (-11,4%)
  • Produtos sujeitos a sobretaxas de 25%-37,5%: US$ 3,6 bilhões (-29,1%)

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