A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o “progresso tangível” no empenho da Ucrânia para aderir à União Europeia (UE), apesar da enorme complexidade do processo.

Em 2022, pouco depois do início da ofensiva russa, a Ucrânia solicitou à UE uma adesão imediata ao bloco, um pedido que continua sendo examinado com extrema cautela nas capitais europeias.

A UE concedeu à Ucrânia a condição de “país candidato” à adesão, mas a velocidade do processo é objeto de intensas discussões.

Em um discurso no Parlamento Europeu em Estrasburgo, Von der Leyen afirmou nesta quarta-feira que tem acesso a informações promissoras do próprio presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.

“Vocês ouviram o presidente Zelensky neste plenário. Eu o encontrei em Kiev. Sei disso pelos meus colegas da Comissão, eles confirmam todos os dias”, disse.

“Os ucranianos estão fazendo progressos tangíveis, apesar da guerra, apesar de lutar contra um agressor”, acrescentou.

De acordo com Von der Leyen, os ucranianos “sabem que a adesão ao nosso bloco é um processo baseado no mérito. Aprovaram reformas legislativas que outros pensavam que demorariam anos”.

A adesão à UE é um processo que normalmente leva anos de negociações – em alguns casos mais de uma década.

Além disso, vários países aguardam com paciência na fila.

A Macedônia do Norte é formalmente candidata à adesão há 17 anos, desde 2005. Montenegro tenta entrar no bloco desde 2010, a Sérvia desde 2012 e a Albânia desde 2014.

A Turquia se tornou país candidato em 1999 e iniciou as negociações formais em 2005, mas desde 2019 as discussões estão paralisadas.

Embora os diplomatas tentem diminuir a ilusão de uma adesão imediata, diversos eurodeputados apoiaram publicamente o otimismo de Von der Leyen.

O eurodeputado alemão Manfred Weber, líder da maior bancada no Parlamento, a do conservador Partido Popular Europeu, disse que os ucranianos merecem o apoio.

“Nossos amigos ucranianos nos mostram, todos os dias, o que significa ser europeu”, disse.

Até o momento, os líderes da UE ofereceram à Ucrânia um enorme apoio financeiro e grandes suprimentos de armas para resistir às tropas russas.

Eles, no entanto, se mostram cautelosos à ideia de que a Ucrânia consiga passar à frente na longa fila de espera para virar membro pleno da UE.