Com mais de 115 milhões de usuários pelo mundo desde 2006, o Roblox é um ambiente virtual que funciona de uma forma diferente dos games tradicionais: ao invés de ser um jogo desenvolvido por uma produtora, ele é uma plataforma onde qualquer pessoa pode fazer e comercializar o seu próprio jogo.  

Pela primeira vez na história, em 2025, a plataforma pagou mais de US$ 1 bilhão para os criadores. Por conta da facilidade de programar e da comunidade engajada, ela é utilizada por muitos profissionais que desejam fazer uma transição de carreira para a área de tecnologia.

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Foi o que aconteceu com Marcus Mendonça. Formado em medicina, ele largou a carreira para se dedicar ao Roblox. Mesmo sem experiência com programação, ele conseguiu desenvolver jogos dentro da plataforma e hoje já abriu uma produtora para desenvolver produtos dentro do sistema. 

“Eu cheguei a terminar o curso de medicina na UFMG, mas meu diploma ficou na gaveta. Meu primeiro contato com o Roblox foi por meio de oportunidades freelancers dentro do Discord do Roblox. Eu fazia pequenos sistemas dentro dos jogos e recebia por isso. Hoje eu atuo em tempo integral na produtora Wonderworks, realizando jogos complexos, além de ter a minha própria produtora”, explicou. 

A chamada economia criativa, ou creator economy, movimentou US$ 250 bilhões em 2024 e está se tornando uma importante saída para a economia do século XXI. As áreas de atuação vão desde a criação de conteúdo nas redes sociais até programação de games e atuação em e-sports, como jogadores profissionais e até locutores. 

Como funciona o Roblox? 

Prestes a completar 20 anos de mercado, a plataforma está presente oficialmente em 180 países. Para entender melhor qual o seu modelo de negócios, pense no Roblox como um shopping center e os produtores como as lojas dentro dele. Os produtores ganham dinheiro vendendo seus produtos e a plataforma fica com uma parcela desses ganhos. 

O criador pode gerar receita de várias maneiras dentro da plataforma:

  • Venda de acesso: cobrar para que os usuários entrem no jogo.
  • Venda de itens internos: comercializar objetos, melhorias ou acessórios dentro do próprio jogo

O Head de Marketing da Gamers Club, Jonathan Pereira, explica como a plataforma funciona. 

“O ecossistema do Roblox é sustentado por uma tríade fundamental composta pelo Client, pelo Studio e pela Cloud, que juntos permitem que a plataforma funcione não como uma desenvolvedora de jogos tradicional, mas como um facilitador de experiências criadas pela própria comunidade”, afirmou.

Como funciona cada uma das ferramentas:

  • Roblox Client: é o portal de acesso ou o programa que os usuários instalam em seus dispositivos para jogar. A grande vantagem competitiva aqui é a onipresença: o serviço foi desenvolvido para rodar em computadores, consoles e dispositivos móveis. “No Brasil, isso é crucial, pois o jogo funciona em qualquer celular Android, ampliando drasticamente o alcance do mercado”, apontou.
  • Roblox Studio: é a ferramenta de criação disponibilizada para a comunidade. A Roblox não produz os jogos; em vez disso, ela fornece as ferramentas — como o boneco se move, as mecânicas básicas, etc. — para que qualquer pessoa, desde um jovem de 17 anos em casa até estúdios profissionais, possam desenvolver suas próprias ideias. Isso alimenta uma economia de criadores (creator economy), onde o conteúdo é gerado organicamente pelos apaixonados pela plataforma.
  • Roblox Cloud: considerada a parte “invisível” e o que tornou a empresa uma gigante, a nuvem cuida de toda a infraestrutura técnica. Quando um criador finaliza um projeto no Studio, ele aperta um botão e a Cloud garante que os usuários consigam acessar o jogo simultaneamente no dia seguinte. Ela gerencia automaticamente questões complexas como multiplayer, escalabilidade, balanceamento de carga e servidores, permitindo que o criador foque apenas na experiência e não em jargões técnicos ou custos de infraestrutura. 

 A plataforma no Brasil

De acordo com o relatório que o Roblox soltou para desenvolvedores brasileiros em 2025, a contribuição da plataforma para a economia brasileira foi de R$ 180,9 milhões entre o terceiro trimestre de 2020 e o segundo semestre de 2025. Foram 680 empregos gerados entre o terceiro trimestre de 2024 e o segundo trimestre de 2025. 

O Diretor Executivo de Negócios na Roblox, Enrico DÁngelo, explica que o país é um mercado estratégico para a plataforma e que um data center foi lançado no país em  2025 para melhorar a experiência dos jogadores. 

Um dos principais jogos da plataforma, o  Bladeball, foi desenvolvido por uma equipe brasileira.

Bladeball

Ativações com marcas

As marcas também estão de olho no mercado de games. No Roblox, marcas como a Caixa Econômica Federal, Mondelez, por meio do Bis, Globo, além de times como o Vasco da Gama, possuem jogos próprios dentro da plataforma. 

Pereira, no entanto, aponta que as empresas precisam ter cuidado na hora de anunciar em games, pois a relação com os jogadores não é igual a um telespectador, que está acostumado a ter o seu programa na TV interrompido por uma propaganda. 

“A chave é entender que a propaganda de interrupção não funciona, pois esse público é praticamente imune a campanhas convencionais. Em vez disso, a estratégia vencedora é fazer com que a marca seja parte integrante da experiência do usuário e da jornada que ele constrói dentro da plataforma”, explicou. 

Plataforma não é lugar de competição

O conceito de terceiro espaço em sociologia é aquele lugar que não é a nossa casa e nem a escola ou o ambiente de trabalho. Ao contrário de outros jogos populares, onde o foco é a competição, muitos usuários usam o Roblox de uma forma mais lúdica, como um lugar de encontro e de conversa. 

“É o lugar onde a Geração Z e a Alfa colam para ver quem está online e simplesmente passar o tempo juntos, da mesma forma que gerações anteriores se reuniam na rua ou em espaços físicos”, encerrou Pereira.