07/12/2005 - 8:00
O verão é a estação brasileira por excelência. Tempo de calor, praia, festas natalinas, férias e Carnaval. A animação do período é garantida por conta do reforço do orçamento familiar, que fica mais folgado com a chegada dos bônus e rendimentos extras, como o 13º salário. É a fase áurea da economia do País, motivada, em grande parte, pelo incremento das vendas do varejo. Para a estação que se aproxima, o cenário previsto é de tempo bom, com perspectivas favoráveis para o comércio, apesar da queda do PIB nacional no terceiro trimestre. De acordo com o Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicas (Dieese), somente o pagamento do 13º salário injetará R$ 45,9 bilhões na economia até o fim de dezembro. São R$ 5,7 bilhões a mais do que em 2004, um crescimento de 8,5% no total do abono. É verdade que boa parte desse dinheiro deverá ser destinada ao pagamento de dívidas, mas há também quem pretende gastar com compras e lazer, o que inclui as esperadas viagens de férias.
Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) constatou que 58% dos entrevistados pretende usar o 13º para pagamento de dívidas. Outros 17%, porém, usarão a verba extra para compras de Natal e 4% irão economizar o abono salarial. ?Um fato interessante é que, pela primeira vez em dez anos, houve um percentual de 8% que pretendem guardar o 13º para pagamento de dívidas de começo de ano, como imposto do carro e matrícula escolar?, avalia Miguel Oliveira, presidente da entidade. O índice é um importante sinal de mudança de mentalidade da população. ?O brasileiro costuma ser muito imediatista, o que leva a muitos erros nas finanças pessoais?, diz Oliveira. No planejamento das férias, por exemplo, o descontrole nas despesas durante a viagem é um dos maiores problemas. ?Muitos sequer sabem quanto exatamente podem gastar antes de sair de férias?, fala.
Mais consciente, o consumidor está disposto a fazer sua parte para que o final de ano possa ser bem celebrado. O Índice de Confiança do Consumidor, medido pela Fundação Getulio Vargas, saltou de 100 pontos em setembro passado para 104,2 pontos em outubro e 103 pontos em novembro. No entanto, a sondagem de confiança que é realizada desde 2002 sempre sofre efeitos de sazonalidade. ?O resultado melhora nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, quando o brasileiro está com mais dinheiro no bolso?, diz Aloísio Campelo, economista da FGV. Atentos, os varejistas respondem aos sinais positivos emitidos pelo consumidor. Tradicionalmente, o final de ano é a época mais aguardada por todo o segmento, mas o verão é ainda melhor para alguns nichos de mercado. É o caso dos shopping centers, que vêem aumentar o número de visitantes e a receita. De acordo com Fabíola Soares, gerente de marketing do shopping Eldorado, em São Paulo, historicamente as vendas de dezembro representam cerca de 15% do faturamento anual. ?O Natal é o grande responsável pelo aumento da receita, mas, ao contrário do passado, o movimento em janeiro não tem sido pequeno?, diz Fabíola. ?Muda apenas o perfil do público, que passa de executivos e moradores para turistas.?
O movimento nos shopping centers, contudo, sofre percalços ditados pela temperatura. Quando o sol aparece, grande parte dos brasileiros quer mesmo é praia. Nessa hora, fazem a festa os vendedores de bens de consumo como moda praia, sorvete, refrigerante e cerveja. ?O Brasil vive o verão de forma muito intensa?, diz Amir Slama, proprietário da grife Rosa Chá. O auge das vendas do segmento ocorre de dezembro até o Carnaval, mas o pico fica por conta da última semana do ano. Nos meses mais quentes do verão, o segmento de sorvetes vende cerca de 70% de sua produção. ?O clima é fundamental para o desempenho da indústria?, diz Eduardo Weisberg, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Sorvetes. ?Ele pode ser nosso melhor aliado ou o pior inimigo?. Para agüentar as altas temperaturas, roupas leves e coloridas, daí o crescimento das vendas de vestuário. ?No verão, a quantidade de peças vendidas é maior pois o preço médio é mais baixo do que o das roupas de inverno?, analisa Marcel Zelazny, presidente do Sindivest, sindicato da indústria de vestuário de São Paulo, que faturou R$ 30 bilhões em 2004. ?Em geral, vende-se 15% da produção no primeiro trimestre, 25% no segundo, 20% no terceiro e 40% nos últimos meses do ano?.
A indústria do turismo também comemora a animação nos meses mais quentes. A Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) prevê um crescimento de 15% a 18% nas vendas de pacotes nacionais e internacionais na temporada 2005/2006. Com custos médios em torno de R$ 1,5 mil cada pacote, o setor planeja faturar R$ 1,2 bilhão no período. O número de vôos fretados no verão deste ano deverá ser 36% acima do registrado no ano passado, totalizando cerca de 300 vôos nacionais por semana. De janeiro a agosto, desembarcaram em vôos fretados internacionais no Brasil 251.300 passageiros, um crescimento de 158% frente ao mesmo período de 2003, segundo a Infraero. Dados da Embratur indicam que o total de turistas estrangeiros deverá alcançar 5,4 milhões em 2005, contingente que pode gerar receitas de US$ 4 bilhões. Eles também vêm em busca de sol, calor e praia e ajudam a aquecer a economia das férias de verão. ![]()
Números do verão
|