O ataque terrorista deixou a bússola do mercado financeiro sem rumo. As principais armas ? dólar, juros e bolsa ? estão apontadas para direções ainda incertas, o que exige dos investidores elaboradas estratégias de defesa. Para enfrentar essa missão no território das finanças, as coordenadas dos gestores de recursos são distintas para cada tipo de combatente. Os conservadores, aqueles que querem apenas proteção, devem ficar no porto seguro dos fundos de investimento DI, atrelados aos juros. Longe dos campos minados que se transformaram as aplicações em renda variável, a projeção de ganho é de 1,5% para os próximos 30 dias. ? A aplicação também é recomendada para quem vai entrar no mercado?, afirma Ronaldo Magalhães, da Sul América Investimentos. Não é por menos que já foi registrado uma fuga dos investidores para essa modalidade. Em apenas uma semana, o patrimônio dos fundos DI aumentou em R$ 550 milhões.

Mais risco. Quem tem uma certa tolerância ao risco deve assumir um posto na tropa dos moderados. Para tanto, é preciso ainda ter arsenal suficiente para manter as posições por no mínimo um ano. O portfólio recomendado por Márcio Verri, estrategista-chefe do BankBoston, é bastante diversificado. Ele sugere 50% da carteira em DI. A bolsa ficaria com 15%, distribuídos em papéis com menores influências internacionais. O outro ataque é nos fundos Fiex (títulos da dívida brasileira), com 14%. A estratégia funciona como proteção. Quando o dólar sobe, os investidores de Fiex conseguem ganhos em reais. No cenário inverso, têm a chance de escapar, porque podem aproveitar da valorização dos papéis no exterior. Uma outra parte, 9%, fica no CDB pré-fixado e o restante, 12%, nos fundos derivativos. Os cálculos ponderaram os riscos de cada aplicação, para amenizar possíveis perdas.

O dólar, neste momento, é uma arma restritiva, recomendado apenas para os mais agressivos. Depois da valorização recorde, que chega a 41,6% no ano, corre grande risco de ter queda brusca. Ainda há espaço para outro tipo de combatente, os especuladores. Quem pretende ganhar com a crise deve entrar na bolsa. Em média, as ações estão 30% mais baratas, mas ninguém sabe afirmar se isso já é o fim do poço ou a tendência é de recuperação. Quem comprou ações na crise do Plano Cruzado em 1996, por exemplo, ganhou 350% em dois anos. Já o tradicional sinônimo de ativo de guerra, o ouro, não brilha mais, por falta de liquidez. Independentemente do perfil, a regra única é ter sangue frio para esperar o desempenho dos mercados internacionais.