07/05/2026 - 17:52
A Compass Gás e Energia, controlada pelo conglomerado Cosan, poderá levantar perto de R$3 bilhões em uma oferta pública inicial (IPO) nesta quinta-feira, 7, encerrando um jejum de quase cinco anos sem IPOs na B3, segundo duas fontes a par do assunto.
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A distribuidora de gás está ofertando 89,3 milhões de ações detidas por acionistas, incluindo a própria Cosan.
No início da tarde de quinta-feira, os pedidos eram quase três vezes maiores que a oferta, segundo uma das fontes. Apesar da forte demanda, a segunda pessoa acrescentou que o preço poderá ficar na base da faixa, em R$28 por ação.
A oferta está sendo feita em um intervalo entre R$28 e R$35 por ação, sendo que a venda no limite superior implicaria uma avaliação da empresa em cerca de R$25 bilhões.
Se concluída conforme o esperado, a oferta da Compass marcará o primeiro IPO na bolsa brasileira desde setembro de 2021, quando empresas, incluindo a Raízen — uma joint venture entre Cosan e Shell –, abriram seu capital.
A oferta da Compass se encaixa na estratégia mais ampla da Cosan de vender ativos e reduzir a alavancagem, já que as altas taxas de juros têm afetado os resultados do grupo.
Uma das fontes afirmou que a Cosan utilizará cerca de 75% do valor total arrecadado com o IPO para amortizar dívidas.
A Cosan tentou realizar um IPO da Compass em 2020, mas arquivou a oferta devido a condições desfavoráveis do mercado.
Apesar da prolongada escassez de IPOs no mercado local, empresas brasileiras como a Picpay, um banco digital pertencente à família Batista, e a fintech Agibank recentemente lançaram ações em bolsas de valores dos EUA.
No entanto, as altas taxas de juros e as preocupações com a saúde fiscal do Brasil impediram que diversas empresas pudessem abrir seu capital no país nos últimos anos.
Fim do jejum de IPOs
Com a operação, se encerra um período de quase cinco anos sem estreias na bolsa brasileira. O último ciclo de IPOs na B3 foi em 2021, quando mais de 40 empresas abriram capital – incluindo a própria Raízen, outra empresa do grupo Cosan. Desde então, companhias brasileiras que queriam acessar o mercado mostraram tendência a listar ações nos Estados Unidos, ou realizar dupla listagem.
O fim da fila de IPOs da B3, de 2021, tem empresas como Intelbras, Smart Fit, Méliuz, Enjoei. O último IPO da bolsa de valores, de fato, foi a Vittia, que abriu capital em setembro de 2021.
Como a empresa está financeiramente
Os números do primeiro trimestre de 2026, ainda preliminares e não auditados, apontam lucro líquido entre R$ 328,5 milhões e R$ 401,5 milhões, abaixo dos R$ 420,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.
A queda é atribuída, em parte, a despesas financeiras e de depreciação mais elevadas.
Nos últimos anos a empresa anotou EBITDA estável em torno de R$ 5 bilhões e forte distribuição de capital aos acionistas, com R$ 5,5 bilhões em dividendos pagos de 2023 até então.
Vale notar que a queda no lucro líquido de 2025 em relação a 2024 acompanha o aumento da alavancagem, dado que a dívida quase dobrou no período, o que pressiona as despesas financeiras.

O que faz a Compass
A Compass é a maior distribuidora de gás natural do Brasil. A companhia tem participação em sete distribuidoras, com destaque para a Comgás, que atende 96 cidades no estado de São Paulo e tem 2,8 milhões de clientes conectados.
Além da distribuição, a empresa atua na comercialização de gás por meio da EDGE – plataforma que opera um terminal de regaseificação em São Paulo (TRSP), distribui GNL para clientes industriais e opera a maior usina de biometano do país, com capacidade de 225 mil m³ por dia.
Na prática, a empresa funciona como o braço estratégico da Cosan para capturar o crescimento do consumo de gás no Brasil, especialmente com a gradual liberalização do setor, que veio na esteira de mudanças regulatórias como a Nova Lei do Gás e o Programa Gás do Gás para Crescer.
Nos últimos anos, a Compass também avançou na consolidação do setor ao adquirir participações em outras distribuidoras estaduais, como a Sulgás, e buscar ativos em diferentes regiões do país.

