Ter um assistente de compras ganhou um novo significado na semana passada. Pela primeira vez no Brasil, foi realizada uma compra online feita por um “agente de IA”. O produto? Um chocolate. Consumidores já usam inteligência artificial no processo de compras, em geral, para pesquisar ou comparar preços. Agora, a novidade é que o teste no país, feito pela Visa em parceria com o Banco do Brasil, foi até o caixa – virtual – e realizou o pagamento.

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O humano dono do cartão de crédito ainda terá que pagar, no mundo real, por essa compra com uso de inteligência artificial. O que muda é que esse foi um importante passo para o que o varejo vem buscando há tempos: conveniência – para todos os envolvidos: vendedor, comprador e emissor e operador do cartão – e hiperpersonalização. E claro, com isso, lá na frente, ver  a frequência e o ticket médio de compras aumentarem.

Como funciona

O processo começa com o consumidor vinculando seus dados a um agente de IA – como chatGPT, Gemini, Perplexity etc. Então, assim como outras funções que damos para as IAs, deve-se enviar um prompt com as orientações sobre seus desejos de consumo. Pode ser um vestido para uma festa, um livro ou um produto de uso recorrente. A IA vai localizar o item e selecionar. Por enquanto, ela primeiro vai pedir autorização para fazer o pagamento e finalizar a comprar. Mas basta o consumidor dar o OK via biometria e a compra é debitada no cartão (como nos boletos cadastrados em DDA), sem que ele precise entrar no site, logar, preencher dados e a senha e fazer essa operação de pagamento.

Segundo o relatório Tecnologias Emergentes para o Setor Bancário 2025, da Federação Brasileira de Bancos – Febraban, em parceria com empresas do setor financeiro e de tecnologia, os agentes de IA então entre os pilares que sustentarão a próxima geração de serviços financeiros. E o mercado brasileiro é marcado por ser pioneiro em tecnologias na área financeira.

“No Brasil, decidimos antecipar a experiência”, contou à IstoÉ Leandro Garcia, da Visa, sobre o desenvolvimento do Visa Intelligente Commerce, um projeto global da operadora.

O plano é que, em um futuro próximo, a IA pule essa etapa da autorização, e realize todo o processo de compra com autonomia total.

Quem pensou em um serviço como o de uma secretária ou secretário, é bem por aí. Enquanto você está naquela “reunião que poderia ter sido um e-mail”, seu agente de compras está pesquisando, escolhendo, comparando preços e pagando seu tênis para a próxima corrida de rua.

E se a IA alucinar?

Por isso que um dos principais pontos do projeto está na segurança. Não apenas em relação à proteção de dados, mas do próprio agente de IA. Hoje, uma das fragilidades da inteligência artificial está na possibilidade de alucinação.

Imagine se, dentro desse processo, a IA compre 500 pares de tênis? Inconveniência para todos os envolvidos: vendedor, comprador e emissor e operador do cartão.

Por outro lado, as compras online se tornarão mais seguras, com risco de fraude e vazamentos consideravelmente reduzido. Até porque, o consumidor adiciona sua credencial (seus dados), em uma agente de IA de sua preferência – mas que tenha passado por uma certificação da operadora do cartão de crédito. Um processo de tokenização daquele seu antigo cadastro naquele marketplace favorito.

“Os pagamentos agentivos marcam um novo capítulo na evolução do comércio”, afirma Guida Sousa, VP da Mastercard para Produtos & Inovação na América Latina e o Caribe, que assim como a Visa, também desenvolveu seu sistema de ‘commerce agent’, o Mastercard Agent Pay.

O plano das operadoras é que, ao final deste ano, a adoção do serviço esteja massificada no país. E claro, que a IA seja consumista, mas com responsabilidade.