25/08/2001 - 7:00
Nos últimos meses, os 50 executivos que ocuparam com maior freqüência os melhores assentos nos vôos entre Nova York e Londres receberam um convite inusitado da British Airways. Em vez de brindá-los com os mimos e mordomias que costumam oferecer a seus clientes preferenciais, a companhia aérea britânica convocou-os a fechar-se em uma sala durante algumas horas para ouvir uma série de palestras. O tema é a segurança, mais especificamente as modificações que a empresa vem realizando
em seus supersônicos Concorde visando colocá-los novamente
em operação. Há cerca de um ano os mais velozes jatos
comerciais do mundo deixaram de voar em rotas regulares,
depois que um Concorde da Air France explodiu no ar após
decolar no aeroporto Charles De Gaule, em Paris, matando todos
os passageiros. O retorno da aeronave está próximo ? deve
ocorrer até outubro ? e a British quer ter certeza de
que ela não levantará vôo vazio.
O esforço leva em conta a fidelidade dos passageiros. Dados da própria empresa indicam que 80% dos usuários do Concorde não trocam suas poltronas ? nem as horas economizadas para atravessar o Atlântico ? pelas de jatos convencionais. Para tranqüilizá-los, a British tem uma série de novidades. A começar pelos pneus desenvolvidos pela Michelin, mais resistentes a danos causados por peças metálicas (uma delas, deixada sobre a pista do aeroporto, teria estourado os pneus do Concorde da Air France, originando o acidente de 2000). As asas, onde se encontram os tanques de combustível do avião, ganharam um reforço para suportar fortes impactos (segundo a perícia, pedaços do pneu destruído romperam os tanques, provocando a explosão do avião). A reforma de cada Concorde está orçada em US$ 3,4 milhões e os primeiros testes demonstraram que as mudanças foram bem-sucedidas. Três aviões já estão, segundo a British, em condições de voltar a operar normalmente, em vôos diários entre Londres e Nova York.