Apesar dos “avanços significativos” alcançados na luta contra a aids,  os participantes da XXI Conferência Internacional sobre a Epidemia,  inaugurada nesta segunda-feira na África do Sul, insistem nos “enormes  desafios” levantados pela doença, primeira causa de mortalidade dos  adolescentes na África.

A conferência, realizada de forma bianual, foi organizada neste ano  na cidade portuária de Durban (leste), uma escolha simbólica: no ano  2000, o ex-presidente Nelson Mandela convocou na mesma cidade o trabalho  pelo acesso aos tratamentos antirretrovirais para todos os doentes.

Apenas um milhão de pessoas no mundo, principalmente nos países do  Norte, tinham acesso a estes medicamentos no ano 2000, lembrou nesta  segunda-feira a associação AIDES. “Dezesseis anos depois, já são mais de  15 milhões. Com isso foram evitadas quatro milhões de mortes”, disse.

No entanto, adverte, “estes avanços não devem esconder a realidade”:  ainda há 38 milhões de pessoas no mundo que vivem com o vírus, a maioria  na África subsaariana.

“Todos os meses, 100.000 pessoas morrem de Aids e 160.000 se  contagiam”, segundo a AIDES, que denuncia as “desigualdades sociais  inaceitáveis” que seguem ocorrendo entre países pobres e ricos.

“Na África subsaariana, mais de 2.000 jovens de menos de 24 anos se  infectam todos os dias”, afirmou Bill Gates, muito comprometido na luta  contra a doença, na noite de domingo em Pretória, antes de viajar a  Durban.

“Cerca da metade das pessoas com Aids não são diagnosticadas”, o que  reduz suas probabilidades de sobreviver e aumenta o risco de  contaminação, lembrou o multimilionário fundador da Microsoft.

A Aids continua sendo a primeira causa de mortalidade nas pessoas  entre 10 e 19 anos na África, segundo o Fundo das Nações Unidas para a  Infância (Unicef).

Para conseguir erradicar a doença em 2030 – objetivo fixado pela ONU –  são necessários esforços colossais, advertem as organizações não  governamentais, num momento em que a vacina contra a Aids ainda não se  materializou.

Para fazer pressão sobre os 18.000 participantes que devem chegar à  conferência de Durban – entre eles cientistas, autoridades políticas,  doadores e personalidades como o príncipe Harry da Inglaterra ou a atriz  sul-africana Charlize Theron -, nesta segunda-feira será realizada uma  manifestação de doentes de Aids na cidade.

“Existe uma enorme distância entre as promessas políticas e a  realidade em terra, com financiamento insuficiente e sistemas de saúde à  beira da implosão”, denunciaram nesta segunda-feira várias organizações  especializadas e a justiça social.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) convocou os participantes da  conferência a “colocar em andamento um plano de ação para resolver o  acesso crítico ao tratamento do HIV” na África Ocidental e Central, onde  as taxas de tratamento são inferiores a 30%.

“Se não agirmos, as conquistas durante conquistadas na África  subsaariana nos últimos 15 anos podem ser anuladas”, advertiu Bill  Gates.