O Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira, 24, em votação  simbólica, a Medida Provisória que prorroga por mais três anos o  programa Mais Médicos, do governo federal. O texto já passou pela Câmara  dos Deputados e segue para sanção presidencial. A MP precisava ser  avalizada pelas duas casas legislativas até dia 29 ou perderia a  validade.

Na prática, ela prorroga o prazo de atuação dos  médicos do programa, que permite tanto a profissionais estrangeiros  quanto a brasileiros formados no exterior atuarem como médicos sem  diploma revalidado no País. A proposta, editada pela presidente afastada  Dilma Rousseff (PT), também prorroga por três anos o visto temporário  concedido aos médicos intercambistas estrangeiros inscritos no projeto.

Segundo  o Ministério da Saúde, a medida permitirá que 7 mil profissionais (em  sua maioria cubanos) permaneçam no Brasil. Os contratos acabariam em  outubro de 2016. Apenas em 30 de agosto, um dia após a MP perder a  validade, 2 mil profissionais teriam de deixar o Brasil. Caso a MP não  fosse votada a tempo, automaticamente os profissionais estrangeiros  perderiam gradualmente o direito de atender pacientes.

A  possibilidade de interrupção no programa, como a reportagem mostrou na  segunda-feira, já preocupava o governo. A votação ocorre em um momento  em que Ministério da Saúde e governo cubano negociam uma eventual  manutenção do contrato de envio de médicos daquele país para atuar no  Brasil. Cuba chegou a reivindicar um aumento de até 30% no valor do  contrato, usando como justificativa a mudança no câmbio. O governo  brasileiro, por sua vez, afirma não haver recursos para isso.

Enquanto  o impasse não é resolvido, governos brasileiro e cubano fizeram um  trato para reposições pontuais até as eleições municipais. Esse acordo,  no entanto, seria inútil, caso a prorrogação não fosse feita no prazo  previsto.

Treinamento 

A estimativa é  de que a troca de um médico estrangeiro leve pelo menos 50 dias. Isso  porque não basta recrutar um novo interessado, providenciar transporte e  estadia. Estrangeiros que aderem ao projeto têm de fazer um curso de  adaptação de três semanas, onde recebem noções de português e sobre o  Sistema Único de Saúde (SUS).