17/03/2014 - 19:01
A China é uma país cuja referência de internet está, literalmente, de ponta cabeça. Os nomes que dominam a web no Ocidente não conseguem espaço no país oriental. O Google chinês, por exemplo, é o Baidu. E Amazon deles é o Alibaba, que acaba de anunciar que vai abrir o capital nos Estados Unidos, em uma oferta de ações que pode chegar a US$ 15 bilhões.
A rede varejista virtual foi fundada pelo ex-professor de inglês Jack Ma em 1999. Apesar de ser conhecida como a Amazon chinesa, o modo de operação do Alibaba é mais parecido com o eBay, nos Estados Unidos, e com o Mercado Livre, no Brasil. Eles não vendem produtos para o consumidor final, mas sim para empresas. No último trimestre de 2013, a empresa faturou US$ 1,75 bilhão. Bem menos que os US$ 15,8 bilhões que entraram no caixa da Amazon.
O forte do Alibaba é seu lucro. Sem muitos gastos para prestar seu serviço, a plataforma chinesa teve lucro de US$ 707 milhões no período (uma margem de 44,6% sob o faturamento), enquanto a Amazon registrou prejuízo de US$ 41 milhões.
O grupo conta com diversas vitrines virtuais, mas as principais são a Taobao e a Tmall. A primeira conta com cerca de 7 milhões de anunciantes e mais de 800 milhões de produtos listados. O Alibaba não cobra nada de nenhum deles – em sua maioria pessoas físicas – para colocarem seus itens na plataforma, mas cobra para dar destaque aos vendedores em sua página inicial e na busca.
O Tmall, por sua vez, conta com marcas famosas em sua vitrine, como GAP e Nike. Dessas grandes empresas, o Alibaba cobra uma taxa mensal e uma porcentagem sobre a venda. Entregas, estocagem, logística, contudo, não fazem parte da rotina da plataforma criada por Jack Ma.
A empresa também vende bastante para fora da China. Compradores do resto do mundo são atraídos pelos baixos preços e pela isenção de taxa de entrega. Mas a parcela das compras do Exterior hoje é minoria no resultado do Alibaba. Dos cerca de US$ 200 bilhões movimentados por intermédio da plataforma em 2013, US$ 160 bilhões foram dentro da China.
Desafios
Com o IPO, o Alibaba talvez tenha que dar uma resposta mais rápida a um problema que assombra a maioria das empresas que apareceram nos desktops: a mudança para a mobilidade. Os acionistas do Alibaba querem uma estratégia mais clara do gigante chinês para aumentar a venda por meio de tablets e smartphones. A companhia não divulga dados sobre esse mercado, mas o mercado estima que as vendas por dispositivos móveis represente 20% da receita do Alibaba.
O grande número de vendedores dentro do Taobao também começou a se tornar um problema. Com o aumento da concorrência, está cada vez mais difícil para os anunciantes comercializarem seus produtos e o investimento para conseguir destaque nos anúncios dentro da plataforma está cada vez maior. No último ano, um grande número de vendedores migrou para concorrentes.
Esses concorrentes são outra sombra para o Alibaba. Um dos que liga o alerta da companhia de Jack Ma é o QQ, da Tencent. A plataforma de mensagens foi uma das vias de e-commerce que apresentou maior crescimento no último ano – sob um número muito menor que o apresentado pelo Alibaba, contudo.
Segundo analistas, as plataformas de mensagens para smartphones são a principal ameaça para o Alibaba. O WeChat e o QQ, ambos da Tencent, são os que mais vendem na China. Combinados, eles têm 800 milhões de usuários.
