03/07/2015 - 11:08
Quase 10 milhões de gregos devem votar no domingo, 5 de julho, no primeiro referendo no país em 41 anos, desde que a nação optou pela abolição da monarquia em 1974, ao fim da ditadura militar.
O QUE SERÁ VOTADO NO DOMINGO
Os eleitores devem votar “Sim” ou “Não” às condições que os credores (Comissão Europeia, BCE e FMI) apresentaram na semana passada para continuar financiando o país.
A pergunta exata é: “Deve ser aceito o plano de acordo apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25 de junho de 2015 e composto de duas partes, que integram a proposta conjunta? O primeiro documento tem como título ‘Reforms for the completion of the Current Program and Beyond’ (Reformas para a realização do programa atual e além) e o segundo ‘Preliminary Debt sustainability analysis’ (Análise Preliminar da Sustentabilidade da Dívida)”.
Na cédula de votação, o ‘Não’, defendido pelo governo, aparece acima do ‘Sim’.
APOIO AO “NÃO” OU AO “SIM”
Os dois parceiros da coalizão de governo, o partido de esquerda Syriza e o de direita a favor da soberania ANEL, defendem o ‘Não’ para acabar com cinco anos de austeridade e negociar “em melhores termos” com os credores.
Os neonazistas do Amanhecer Dourado apoiaram no Parlamento a convocação do referendo e defendem o ‘Não’.
Também favoráveis ao ‘Não’ estão vários grupos de extrema-esquerda sem representação no Parlamento, como o Antarsya.
A favor do ‘Sim’ estão os opositores Nova Democracia (centro-direita), Pasok (centro-esquerda) e To Potami (centro), que consideram o referendo um plebiscito sobre a permanência no euro.
O Partido Comunista faz campanha pelo voto nulo.
CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS
O referendo acontecerá em circunstâncias econômicas excepcionais. Desde segunda-feira passada e até 6 de julho, o país está sob um rígido controle de capitais. Os correntistas podem sacar nos caixas eletrônicos o máximo de 60 euros por dia.
Na terça-feira expirou o programa europeu de assistência financeira à Grécia e no mesmo dia o país entrou em default com o FMI, ao não conseguir efetuar um pagamento de 1,55 bilhão de euros.
QUEM PODE VOTAR
No domingo estarão abertos 19.159 locais de votação e 9.855.029 eleitores estão registrados.
Os cidadãos de outros países da União Europeia não têm direito de voto no referendo.
Como o referendo foi organizado em apenas uma semana, é pouco provável que os gregos que moram no exterior (um milhão) consigam votar.
QUANTO CUSTA O REFERENDO?
O ministério do Interior avalia o custo de organização em, no máximo 25 milhões de euros, metade do que foi utilizado nas eleições de 25 de janeiro que levaram o Syriza ao poder.
CORRIDA CONTRA O TEMPO
O referendo foi organizado em apenas uma semana, já que foi anunciado na sexta-feira à noite pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras e aprovado pelo Parlamento no sábado.
ANÚNCIO DO RESULTADO
A votação acontecerá das 7H00 (1H00 de Brasília) às 19H00 (13H00 de Brasília).
Os primeiros resultados devem ser anunciados às 21H00 (15H00 de Brasília) e indicar o possível resultado global. A rapidez do anúncio do resultado dependerá da margem de diferença entre as opções.
FACILIDADES DE TRÂNSITO
Para facilitar a participação no domingo, os pedágios serão gratuitos e as passagens de trem, voos domésticos e ônibus interurbanos terão preços reduzidos. No entanto, os gregos fora de seu município de votação não poderão participar no referendo.