O Atlético-MG se prepara para disputar as duas partidas mais importantes de sua história centenária. Nesta quarta-feira(17/7) e na próxima  (24/7), o Galo enfrentará o Olímpia, do Paraguai, pelo título da Taça Libertadores da América. A possível conquista do campeonato mais cobiçado do continente levará a equipe para outro patamar no futebol brasileiro, mas pode não mudar muito a situação do Atlético em termos financeiros.

 

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Pela primeira vez em 105 anos de história, Atlético-MG chega às finais da Taça Libertadores da América

 

A competição continental não dá uma boa premiação financeira às equipes participantes: o time campeão receberá cerca de US$ 3,3 milhões pela conquista. Valor imensamente menor que os ? 50 milhões embolsados pelo Bayern de Munique, vencedor da Liga dos Campeões neste ano, campeonato europeu equivalente à Libertadores. ?A Libertadores é o título mais importante, mas não é rentável no aspecto financeiro?, diz Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva. ?Ela traz o torcedor para o lado do time e garante audiência na televisão, mas o marketing tem que ser trabalhado para se conseguir mais recursos.”

 

Marketing é uma área que não tem sido muito explorada pelo Atlético. Segundo Somoggi, mesmo com três convocados para a seleção brasileira campeã da Copa das Confederações (Bernard, Jô e Réver) e um jogador de renome mundial, como Ronaldinho Gaúcho, além de estar na final da competição internacional, a equipe de Minas Gerais aproveitou pouco para potencializar a sua marca. ?O Atlético-MG tem uma torcida apaixonada, mas muito restrita ao Estado. Deveria aproveitar melhor o momento para nacionalizar ainda mais o time e usar a comunicação como meio para conseguir isso.”

 

De acordo com dados da consultoria BDO Brazil, o time de Minas Gerais tem a nona marca mais valiosa do futebol brasileiro, mas investiu pesado no ano passado para melhorar esse panorama: apenas no departamento da modalidade, foram gastos R$ 126 milhões contra R$ 91 milhões em 2011. Altos salários, manutenção de jogadores cobiçados e contratações de atletas de renome, como o próprio Ronaldinho, resultaram em uma segunda colocação no Campeonato Brasileiro de 2012, mas acarretaram um aumento de 12% em seu endividamento, que bateu a cifra de R$ 414,5 milhões no mesmo ano. ?O Atlético tem conseguido resultado nos campos, mas continua aumentando as dívidas. Ainda não é um modelo a ser seguido no Brasil?, diz Pedro Daniel, consultor de esportes da BDO. 

 

Ao mesmo tempo que as dívidas crescem, no entanto, a receita da equipe mineira também sobe de maneira impressionante: apenas em 2012, o Galo acrescentou R$ 151,2 milhões aos cofres, um aumento de 96% em relação ao ano anterior. ?Pela primeira vez, o Atlético passou o arquirrival Cruzeiro em faturamento?, afirma Pedro.

 

Com exceção de títulos estaduais e de duas Conmebol, copa já extinta, a Libertadores de 2013 pode ser a primeira grande conquista da equipe mineira desde o longínquo Campeonato Brasileiro de 1971, mas deve ser bem explorada. ?Se não houver um bom marketing, o time pode até ser campeão, mas a vida dele não mudará?, diz Somoggi, que também fala que a vaga no Mundial de Clubes não altera muito o cenário. ?Não dá para o mundo te conhecer fazendo dois jogos no fim do ano. As imagens dos ídolos e da instituição devem ser usadas nessa oportunidade.?

 

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