17/08/2015 - 19:44
O Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiou nesta segunda-feira um novo plano de paz na Síria, votado por seus 15 membros e aprovado por unanimidade.
Trata-se do primeiro plano político relativo ao conflito sírio em que todos os países membros do Conselho conseguem chegar a um acordo, inclusive a Rússia, que no passado vetou outras resoluções sobre a Síria.
O embaixador francês nas Nações Unidas, Alexis Lamek, descreveu o acordo como “histórico”.
A Venezuela, que tem boas relações com a Síria, afirmou discordar com partes do plano que pedem uma transição política para acabar com uma guerra que já dura quatro anos.
O representante de Caracas, Rafael Ramírez, disse que o Conselho está marcando “um precedente muito perigoso” ao apoiar uma transição que, no seu entender, viola o direito sírio à autodeterminação.
A declaração de 16 pontos redigida pela França era objeto de negociações desde que o representante especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, apresentou sua nova proposta para os diálogos de paz no conselho no mês passado.
A iniciativa de paz, que deveria começar em setembro, implantaria quatro grupos de trabalho para abordar os temas de segurança e proteção, antiterrorismo, temas políticos, legais e de reconstrução.
O Conselho pediu que todas as partes trabalhem para por um fim à guerra, “lançando um processo liderado pela Síria que leve a uma transição política que cumpra as aspirações legítimas do povo sírio”.
A transição compreende “o estabelecimento de um corpo dirigente de transição inclusivo, com plenos poderes, que deverá se formar nas bases de um consenso mútuo que garanta a continuidade (de funcionamento) das instituições governamentais”.
O Conselho expressou um “alarme grave (porque) a crise síria se tornou a maior emergência humanitária atualmente no mundo”, com mais de 240.000 mortos e cerca de 12 milhões de deslocados (7,6 milhões internamente e mais de 4 milhões que fugiram do país).
A declaração foi adotada um dia depois de o governo sírio bombardar uma cidade dominada pelos rebeldes perto de Damasco, matando 96 pessoas em um dos ataques mais sangrentos do regime desde o começo da guerra.