18/12/2010 - 5:11
O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu, este domingo, para discutir a escalada das tensões entre as duas Coreias, enquanto autoridades sul-coreanas anunciaram que os exercícios militares com disparos reais em uma ilha situada na fronteira marítima entre as duas Coreias estão previstos para esta segunda-feira.
As autoridades locais fizeram o anúncio na ilha de Yeonpyeong, na manhã de segunda-feira (hora local, noite de domingo no Brasil), informou um fotógrafo da AFP no local. No entanto, não foi divulgado um horário preciso para a realização dos exercícios.
A agência de notícias sul-coreana Yonhap também citou militares segundo os quais os exercícios seriam realizados na segunda-feira.
“O Exército decidiu realizar os exercícios hoje (segunda-feira)”, disse um oficial não identificado da chefia de Estado-maior conjunta, citado pela agência. “O momento exato dependerá das condições climáticas no entorno da área da ilha”.
Segundo o fotógrafo da AFP, há uma espessa neblina no local.
Pyongyang respondeu ao anúncio da relização dos exercícios militares por Seul intensificando o status de alerta ao longo da costa norte-coreana, perto do local planejado para os exercícios.
Enquanto isso, o enviado americano, Bill Richardson, apresentou suas próprias propostas à liderança norte-coreana, em Pyongyang, na tentativa de reduzir a hostilidade crescente.
“É uma situação muito, muito tensa, uma situação de crise”, disse Richardson à rede de TV americana CNN, falando da capital norte-coreana.
A Coreia do Sul prevê realizar os exercícios militares com disparos reais perto da ilha Yeonpyeong, na disputada fronteira marítima, assim que melhorarem as condições meteorológicas. A Coreia do Norte, que bombardeou a ilha no mês passado, matando quatro pessoas, alertou para um “desastre” caso as intenções sul-coreanas prosseguirem.
A Coreia do Norte intensificou o nível de prontidão de combate de suas forças na costa do Mar Amarelo, perto do local planejado para os exercícios, segundo uma fonte governamental de Seul, citada pela agência Yonhap.
Uma unidade de artilharia “elevou seu nível de prontidão” e alguns caças foram retirados de um hangar da Força Aérea, acrescentou a fonte, que pediu para ter sua identidade preservada.
A Rússia, que solicitou a reunião de emergência do Conselho de Segurança, quer que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mande um enviado especial para os dois países para buscar “medidas urgentes” que detenham a crise, informaram fontes diplomáticas.
Os russos fizeram este apelo em um esboço de declaração, enviada aos outros 14 membros do Conselho de Segurança, no qual pediu “cautela máxima” tanto da Coreia do Norte quanto da Coreia do Sul, disseram diplomatas.
No entanto, o Conselho de Segurança nunca conseguiu sequer chegar a um acordo sobre o bombardeio norte-coreano a Yeonpyeong, em 23 de novembro, causa da atual escalada das tensões.
Desde então, a China bloqueou todas as manobras para condenar a Coreia do Norte.
Segundo um diplomata, a maioria dos países do Conselho de Segurança que participam das conversações deste domingo gostaria que fosse aprovado um comunicado que criticasse o norte pelo bombardeio e o naufrágio de um navio de guerra sul-coreano, em março, mas Rússia e China querem apenas um pedido de cautela e que seja mandado um enviado especial.
Durante conversas telefônicas, no sábado, os ministros das Relações Exteriores de China e Rússia instaram a Coreia do Sul a cancelar seus exercícios militares.
“A China se opõe firmemente a quaisquer ação que cause tensão e agrave a situação”, disse o ministro chinês, Yang Jiechi.
“Estamos seriamente preocupados sobre uma possível futura escalada da tensão na península coreana”, afirmou o enviado russo às Nações Unidas, Vitaly Churkin, no sábado.
“Acreditamos que o Conselho de Segurança deva mandar um sinal de cautela” para as Coreias do Norte e do Sul, acrescentou.
Em Pyongyang, Richardson, governador do Novo México e um veterano negociador da Coreia do Norte comunista, propôs que as duas Coreias estabeleçam uma linha direta militar para tratar de incidentes fronteiriços, noticiou a CNN.
Ele também defendeu que uma comissão militar com membros das Coreias do Norte e do Sul, juntamente com os Estados Unidos, monitorem as áreas em disputa no Mar Amarelo, incluindo a ilha de Yeonpyeong.
Richardson falou após um encontro com o major-general Pak Rim Su, que chefia as forças norte-coreanas na tensa fronteira com o sul. O enviado americano descreveu as conversas como “muito duras”, porém com “algum progresso”.
Richardson disse que Pyongyang estava “muito, muito afrontada” com o plano de Seul de realizar os exercícios militares, embora o general norte-coreano tenha se mostrado aberto à ideia da criação de uma comissão militar.
Pyongyang ameaçou com um “desastre” caso os sul-coreanos realizem os exercíos em Yeonpyeong, e um comunicado do ministério das Relações Exteriores, este sábado, acusou os militares americanos – uns 20 que participam dos exercícios – de servir de “escudo humano”.
A Coreia do Sul rejeitou os apelos para suspender os exercícios militares que devem durar um dia.
bur-tw/mvv