Uma nova leva de empresas se prepara para abrir seu capital à participação de investidores. Desta vez, são companhias de porte médio, ainda sem a massa crítica necessária para lançar ações no pregão. O alvo delas é o Bovespa Mais, espaço sob medida para elas aberto em maio na Bolsa de São Paulo. Ali, serão aceitas ofertas de lotes pequenos de papéis, inferiores a 20% do capital das empresas. E a venda das ações poderá ser concentrada em grupos de investidores ou parceiros financeiros.

Duas construtoras paulistas, a Klabin Segall e a Company Incorporadora, são as primeiras da fila para a inauguração do chamado mercado de acesso da Bolsa. Uma terceira, a Gafisa, da GP Investimentos, não anunciou sua chegada ao mercado acionário, mas tem registro de companhia aberta desde o ano passado e, na opinião de analistas financeiros, não ficará de fora.

Até o final do ano, Klabin e Company devem fazer as primeiras emissões e captar, segundo estimativas do mercado, algo entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. ?É uma oportunidade de captar recursos de forma mais barata do que os tradicionais financiamentos bancários?, avalia Luiz Rogélio Rodrigues, diretor financeiro da Company. Quando toma dinheiro emprestado em um banco, uma empresa dificilmente consegue os recursos por prazos superiores a 36 meses ? um problemão para as construtoras, que oferecem financiamento imobiliário de até 20 anos. Ao recorrer ao mercado de capitais, ao contrário, a companhia põe o dinheiro no caixa no ato e dispõe dele como achar melhor. Assim, empresas conseguem captar recursos até 20% mais em conta, dependendo de variáveis como o interesse dos investidores e a liqüidez dos papéis.

A Bolsa de São Paulo ainda não definiu que taxa cobrará das companhias que entrarem no Bovespa Mais. Mas este, de qualquer modo, não é o custo que mais pesa. Salgadas são as despesas para preparar a empresa para o crivo do mercado, como auditorias, road shows e divulgação regular de informações financeiras. Neste particular, as construtoras em questão já fizeram a lição de casa. A Klabin Segall, em especial, já negocia títulos de dívidas e Certificados de Recebíveis Imobiliários no mercado de balcão da Bovespa (no qual se negociam papéis de empresas que não estão no pregão). Por isso, tem registro na CVM, divulga balancetes trimestrais e montou uma área de relação com investidores. ?A presença na Bovespa facilitará o contato com novos parceiros. Estaremos na vitrine do mercado?, acredita seu diretor financeiro, Eurico Magno de Carvalho.

Toda esta movimentação de construtoras estreantes na Bovespa tende a favorecer as companhias do setor que já estão no mercado de ações. ?Os investidores ficarão mais atentos às oportunidades do setor?, prevê Eduardo Pfizter, analista da corretora Fator. Naturalmente, as veteranas do pregão preparam-se para pegar carona nesta tendência. A Rossi Residencial, por exemplo, planeja nova emissão de ações e contratou um formador de mercado para melhorar a liqüidez de seus papéis. De modo semelhante, a Brazil Realty, que se fundiu no mês passado à incorporadora Cyrella, prepara uma nova oferta de papéis no Novo Mercado da Bovespa. O lançamento chama a atenção do mercado. As ações da Brazil Realty acumulam valorização de 38,7% no ano.