O secretário de Estado americano, John Kerry, espera que as conversas desta semana com os líderes israelenses e palestinos gerem uma espécie de “fôlego político” diante da escalada de violência.

Kerry vai-se reunir com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Berlim, nesta quinta, e com o líder palestino, Mahmud Abbas, em Amã, no fim de semana, anunciou o porta-voz da pasta, John Kirby, nesta quarta-feira.

“O secretário sente que é importante ir e ter essas conversas, dada a escalada, para tentar buscar formas para pôr fim à violência e restaurar a calma”, disse Kirby.

“Além disso, serviria para dar um fôlego político, assim, pode-se conseguir um avanço real e significativo para o fim da violência”, acrescentou.

Interrogado sobre como pode ser esse alívio, Kirby disse que “o suficiente para alcançar uma sensação de calma, tentando chegar a um nível de acordo que possa garantir mais segurança e estabilidade”.

O porta-voz do departamento de Estado repetiu os pedidos feitos por Kerry a ambas as partes para que se evite a incitação à violência, mas se recusou a condenar a acusação de Netanyahu de que um líder palestino teria inspirado o Holocausto nazista.

Em um discurso pronunciado na terça-feira no Congresso sionista em Jerusalém, Netanyahu se referiu ao encontro de novembro de 1941, na Alemanha, entre Adolf Hitler e o então grande mufti de Jerusalém Haj Amin al-Husseini, alto dirigente muçulmano na Palestina, que estava sob mandato britânico.

“Naquele momento, Hitler não queria exterminar os judeus, queria expulsar os judeus. Então, Haj Amin al-Husseini foi encontrar Hitler e disse: ‘Se expulsá-los, todos virão para cá'”, declarou Netanyahu.

“‘Então, o que devo fazer com eles?’ – perguntou (Hitler). Ele respondeu: ‘Queime'” – completou o primeiro-ministro.

Netanyahu mencionou Husseini para rebater as acusações de que Israel tenta destruir, ou assumir, o controle da Esplanada das Mesquitas de Jerusalém. A questão tem um papel crucial na atual onda de violência entre israelenses e palestinos.

“Vimos os comunicados de imprensa sobre as declarações do primeiro-ministro e, nesses informes, pode-se ver claramente a prova de que apoia outra posição”, disse Kirby.