Pela primeira vez, a Copa do Mundo será sediada simultaneamente por três países. Em 2026, o maior torneio de futebol do planeta terá como casa a América do Norte, com Canadá, Estados Unidos e México atuando como anfitriões.

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A mudança acompanha outra novidade para figurar nos livros de história do esporte: o aumento no número de participantes, que salta de 32 para 48 seleções. O novo modelo, com 48 times divididos em doze grupos de quatro equipes, será o padrão para as próximas edições.

A experiência de sedes além fronteiras, porém, não é algo inédito. Em 2002, Coreia do Sul e Japão dividiram a organização do evento que culminou com o pentacampeonato da seleção brasileira, à época treinada pelo gaúcho Luiz Felipe Scolari. E isso remete a mais uma novidade para o torcedor do time canarinho. Desta vez, o Brasil terá o comando do italiano Carlo Ancelotti. É a primeira vez de um técnico estrangeiro à frente da seleção em uma Copa do Mundo.

O mundial com diferentes países como sede parece ser uma tendência da Fifa. Isso porque em 2030, ano do centenário da Copa, o torneio será dividido em seis países, tendo Espanha, Portugal e Marrocos, como principais casas, e com partidas também disputadas em Argentina, Paraguai e Uruguai. Com o aumento de seleções classificadas, naturalmente o número de jogos também subiu, e agora são 104 partidas. Elas serão disputadas em um intervalo de 38 dias.

Para comportar esse volume de jogos, foram selecionadas 16 cidades-sede: pelo lado mexicano, Cidade do México, Monterrey e Guadalajara; em território canadense, Vancouver e Toronto; e nos Estados Unidos, Los Angeles, Dallas, Boston, Nova York/Nova Jersey, Kansas City, Houston, Miami, Filadélfia, São Francisco/San Jose, Atlanta e Seattle.

A abertura da competição está marcada para 11 de junho, no emblemático estádio Azteca, na capital mexicana. Com capacidade para mais de 87 mil pessoas, o espaço receberá o confronto entre México e Arábia Saudita.

(AP Photo/Christian Palma)

No Canadá, o destaque é o BC Place, em Vancouver. O estádio multiesportivo tem capacidade para 54 mil torcedores e receberá sete partidas, incluindo dois jogos da seleção local. A estreia na arena será no dia 13 de junho, entre Austrália e uma equipe vinda da repescagem europeia.

Nos Estados Unidos, que abrigam 11 das 16 sedes, o foco principal recai sobre o MetLife Stadium, em Nova Jersey. A arena, com capacidade para 82 mil pessoas e casa dos times de Nova York na NFL, será adaptada para receber nove jogos, incluindo as semifinais e a grande final, no dia 19 de julho.

Um dos desafios será organizar os traslados das seleções que avançarem na competição. A Fifa desenhou a escolha das cidades-sede de forma a fazer com que os times evitem grandes deslocamentos. É uma medida que facilitará também a vida dos torcedores que quiserem ficar junto às seleções.

Histórico dos anfitriões

Diferentemente do Canadá, que estreia como sede, México e Estados Unidos têm tradição como anfitriões. O México fará história como o primeiro país a sediar o torneio três vezes (1970, 1986 e 2026). Em 1970, o Azteca foi palco do tricampeonato do Brasil, quando a seleção bateu a Itália por 4 a 1 diante de mais de cem mil pessoas no estádio.

Já os Estados Unidos sediaram a Copa de 1994, ano em que o Brasil encerrou um jejum de 24 anos. O tetra foi conquistado no Rose Bowl, em Pasadena, estádio que, curiosamente, não foi incluído na lista de sedes para 2026. Na decisão, o Brasil venceu novamente a Itália, desta vez nas penalidades, após um empate em 0 a 0.

O impacto socioeconômico

No ano passado, a Fifa divulgou, junto com a Organização Mundial do Comércio (OMC), dois estudos sobre o impacto socioeconômico da Copa do Mundo 2026 globalmente e para os Estados Unidos – eles foram coordenados pela empresa independente OpenEconomics.

De acordo com esses trabalhos, o torneio poderá impulsionar o PIB global em até US$ 40,9 bilhões e gerar 824 mil empregos em tempo integral. Para os Estados Unidos, em específico, a projeção apontava a criação de 185 mil empregos e um PIB de US$ 17,2 bilhões.

Outra estimativa importante se refere ao público que os países anfitriões devem receber: a Fifa espera ver 6,5 milhões de pessoas nos estádios e em seus entornos. Afinal, não se pode esquecer que uma Copa do Mundo acontece também fora das arenas esportivas, em especial com ativações promovidas pelas marcas – entre os patrocinadores desta edição estão Adidas (que criou a Trionda, a bola da Copa 2026), Coca-Cola, Hyundai, Lenovo, Qatar Airlines, Visa, Budweiser, Dove Man Care, Hisense, Lay’s, McDonald’s e Diageo.

Mas há situações em que o torcedor enfrentará o desafio de restrições migratórias, principalmente nos Estados Unidos, que hoje tem um governo que aumenta a pressão sobre a presença de imigrantes ilegais em seu território. Há quem já esteja barrado. As seleções do Haiti e Irã não poderão ser acompanhadas por seus torcedores. Os atletas e a comissão técnica vão poder disputar todos os jogos da fase de grupos. Já os torcedores das equipes de Senegal e Costa do Marfim entram na lista dos países com restrição parcial.

Além da TV

A pouco mais de seis meses para o seu início, a Copa do Mundo de 2026 será marcada por novidades não apenas em sua organização, com três sedes, e no seu formato, com 48 seleções, em vez de 32. Para o público brasileiro, o torneio da Fifa trará ainda uma mudança histórica nos modelos de transmissão: pela primeira vez, o streaming será o meio de captação e consumo de imagens mais presente no cotidiano do torcedor.

O Grupo Globo sempre exerceu um domínio histórico absoluto nas transmissões da Copa em território nacional. Entretanto, desde a última edição, no Catar em 2022, as plataformas digitais ganharam força sem precedentes. Para o campeonato disputado na América do Norte, a CazéTV, disponível na plataforma YouTube, sobressaiu-se estrategicamente e atuará como o principal transmissor do torneio em termos de volume de partidas exibidas.

Ao todo, o espectador brasileiro poderá acompanhar a competição em três espaços distintos: a CazéTV, os canais do Grupo Globo e por meio da parceria entre SBT e N Sports. Cada uma das empresas detentoras dos direitos de transmissão terá pacotes específicos de exibição. O SBT e a N Sports, últimas empresas a fecharem o acordo pelos direitos televisivos, transmitirão 32 jogos do torneio, incluindo todas as partidas da seleção brasileira. Já a Globo irá distribuir 55 jogos, todos os da seleção brasileira, por suas plataformas de mídia (TV Globo, SporTV, Globoplay e a GeTV).