Coincidência ou não, a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, após a confirmação da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, aumentou o ritmo de ajuste da Selic. No início da noite desta quarta-feira 03, a taxa básica dfe juros foi elevada em 0,5 ponto percentual, para 11,75% ao ano.

Em um curto comunicado, o Copom afirmou que “decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic”. Na reunião anterior, em 29 de outubro, apenas três dias após Dilma ser reeleita em segundo turno, o Copom surpreendeu o mercado, ao elevar a Selic em 0,25%, para 11,25%. Naquele momento, o mercado esperava que a autoridade monetária sinalizasse sua disposição de aumentar os juros – mas que não o fizesse de imediato.

Agora, o Copom mostrou que o aperto monetário está, definitivamente, integrado à cartilha do segundo governo de Dilma. A nota, porém, sugere que os próximos reajustes podem ser menores. “Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia”, afirmou o BC.

À sombra de Levy

Esta foi a última reunião do ano do Copom e ocorreu sob a influência da confirmação de Alexandre Tombini na presidência do Banco Central na próxima gestão Dilma. O mais importante, porém, é a possível influência da nomeação de Joaquim Levy, ex-diretor do Bradesco e considerado um economista ortodoxo, como futuro ministro da Fazenda, em substituição a Guido Mantega, que deixará o cargo com o fim do primeiro mandato.

Levy já assinalou que pretende controlar os gastos públicos para resgatar a confiança dos investidores na política econômica brasileira. Entre as queixas do mercado, está a persistente inflação alta, que bate no teto da meta de 6,5%. Com Levy à frente da Fazenda, o mercado espera uma guinada ortodoxa de Dilma, que adotou um tom “desenvolvimentista” no primeiro mandato, com menos rigor fiscal, tolerância à inflação e estímulos setoriais.

O aumento da inflação e a vitória apertada sobre o senador tucano Aécio Neves, no segundo turno, acenderam a luz amarela no governo. A confirmação de Levy foi um sinal de que Dilma adotará muitas das medidas que Aécio defendeu na campanha – e que ela criticou, afirmando que representariam arrocho e desemprego. Os dois aumentos da Selic pelo Banco Central, desde o segundo turno, mostram que o BC e a nova equipe econômica já colocaram mãos à obra.