18/01/2011 - 3:13
Com todos os índices de inflação em alta e sob uma demanda aquecida, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne pela primeira vez a partir de hoje sob comando de Alexandre Tombini. A expectativa é de que o órgão inicie um novo ciclo de alta da Selic.
A previsão do mercado é de um aumento de 50 pontos, o que levaria os juros básicos de 10,75%, para 11,25% ao ano. Para os analistas, as razões para a elevação são claras, e o aumento já foi sinalizado no último relatório.
As vendas no varejo cresceram acima do esperado em novembro. O índice subiu 1,1% na comparação com outubro do ano passado e 9,9% ante o mesmo mês de 2009, confirmando o cenário de consumo aquecido no final de 2010.
A forte alta das vendas de móveis e eletrodomésticos (2,4% na margem) puxou o desempenho para acima das expectativas do varejo em novembro. No acumulado de 2010 até novembro, o volume de vendas cresceu 11% sobre o mesmo período de 2009, reflexo de fatores de estímulo ao consumo, como baixo desemprego e crédito em expansão.
A grande questão para o mercado neste momento é como será feito esse reajuste. Como a alta é dada como certa, o que mais vai atrair a atenção dos investidores é o comunicado que sai ao término da decisão e que deve trazer pistas sobre o ritmo do aumento e o tamanho esperado do ajuste das próximas reuniões.
Para Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin (instituição que teve o maior índice de acerto na taxa Selic de longo prazo em 2010, segundo o Banco Central), além das ações de contenção do crédito tomadas pelo BC em dezembro, situações como o maior endividamento das famílias, a inflação mais alta, menores ganhos salariais e aumento da taxa de juros devem limitar o tamanho da expansão das vendas neste ano.
O índice de confiança do consumidor de janeiro, divulgado pela Fecomércio, já trouxe sinais de maior cautela, ao apontar queda de 2,6% ante dezembro, e uma alta modesta de 0,8% na comparação com janeiro/2010.
O economista estima uma taxa ao redor de 0,9% para o PIB no último trimestre de 2010 ante o trimestre anteriorº. ?Apesar dessa recuperação do PIB, continua evidente o descompasso existente entre o consumo e a produção interna de bens, cujo hiato tem sido coberto pelo vigoroso aumento das importações. Este é um aspecto que dificilmente será revertido no curto prazo, pois está relacionado a questões como diferencial de crescimento interno e externo e, principalmente, perda de competitividade do setor produtivo?, analisa.
Remédio amargo
Segundo o diretor-executivo da corretora NGO, Sidnei Nehme, o novo governo tem apontado para uma nova matriz de controle e combate as pressões inflacionárias, com menos juros e menor interferência no câmbio e maior controle sobre as causas, gastos de governo e pressões de demanda no consumo.
Contudo, a hesitação do governo em anunciar os detalhes sobre o corte de gastos, enfraqueceu a ideia de uma correção menor que 0,50% da taxa de juros já nesta reunião.
?Altas de juros desestimulam os setores produtivos; oneram fiscalmente o país com os custos da dívida pública e o carregamento das reservas cambiais. Além disso, na maioria das vezes, não são eficazes e realimentam o ciclo inflacionário?, garante.
Para Nehme, juro mais elevado só piora a situação macroeconômica no longo prazo. ?Os juros altos despertam o interesse do capital especulativo e impõem ao BC a aquisição de maiores volumes de divisas de má qualidade no mercado à vista. Essas divisas tornam as reservas cambiais mais vulneráveis a movimentos reversivos?, resume.
Saiba mais assistindo ao boletim diário da Dinheiro Online sobre o mercado:
> Reunião do Copom é o destaque nesta quarta