27/02/2011 - 3:18
A Coreia do Norte ameaçou com uma “guerra total” em resposta a manobras militares de tropas sul-coreanas e americanas previstas para ocorrer a partir de segunda-feira, e instou Seul a deter a propaganda na fronteira, em um clima de forte tensão na região.
Pyongyang liderará uma “guerra total” em “represália” pelos treinamentos militares e transformará Seul em um “mar de fogo”, informou neste domingo a agência oficial norte-coreana KCNA.
“O exército e o povo da RPDC (República Popular Democrática da Coreia) responderão com uma dissuasão nuclear, reforçada à nossa maneira para fazer frente à ameaça nuclear contínua (…), e nossos próprios mísseis (realizarão) uma ação contundente frente à sua maligna tentativa de eliminar nossos mísseis”, disse a KCNA.
Em torno de 200.000 soldados sul-coreanos e 12.800 americanos participarão das manobras, classificadas pelo Norte como uma preparação para a guerra.
As manobras dividem-se em duas partes: um treinamento do comando militar que ocorrerá até 10 de março e outro aéreo, naval e terrestre, até 30 de abril.
Os exercícios baseiam-se em diferentes cenários, como uma queda repentina do regime norte-coreano e um êxodo em massa de refugiados, atos de provocação ou a busca de armas de destruição em massa, segundo a agência sul-coreana Yonhap.
O exército americano prevê mobilizar durante as manobras seu porta-aviões de 97.000 toneladas, o “USS Ronald-Reagan”.
A advertência de Pyongyang contrasta com seus recentes chamados para negociar com os Estados Unidos, depois do fracasso das negociações militares com o Sul no início do mês, quando responsáveis norte-coreanos puseram fim a uma reunião preparatória.
As relações entre as duas Coreias pioraram devido ao afundamento em março de um navio sul-coreano, atribuído ao Norte, e ao bombardeio em novembro de uma ilha do Sul por parte do exército norte-coreano.
No total, 50 sul-coreanos morreram nesses dois incidentes.
Pyongyang afirmou em diversas ocasiões que o bombardeio de novembro foi em represália às manobras do exército sul-coreano.
Posteriormente, Seul realizou uma série de manobras militares, como uma demonstração de força frente à política agressiva do norte.
O Sul também retomou o envio de material de propaganda para o outro lado da fronteira norte-coreana, uma iniciativa suspensa desde 2000.
Neste domingo, a Coreia do Norte ameaçou, segundo a KCNA, abrir fogo contra a Coreia do Sul caso siga enviando propaganda.
Os militares norte-coreanos lançarão “ataques diretos e seletivos” na direção da zona fronteiriça, onde ativistas e militares (sul-coreanos) continuam com o lançamento de globos com lemas antigovernamentais, informou a KCNA.
A agência Yonhap afirmou na sexta-feira que o exército sul-coreano enviou ao outro lado da fronteira globos com informações sobre o movimento de revolta no Oriente Médio e no Norte da África.
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