24/03/2026 - 10:59
Os Correios começaram a preparar a adoção da escala 12×36 em parte das suas operações, em uma mudança faz parte de um plano interno de reorganização e acompanha ajustes nos processos de trabalho, com foco em dar mais ritmo às atividades e atender melhor à demanda por entregas.
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Essa jornada não será aplicada de uma vez só. A empresa pretende usar o modelo conforme a necessidade de cada área, ajustando equipes e turnos de acordo com o volume de serviço. O formato tende a ser usado em setores que funcionam sem pausa e que exigem rapidez, principalmente com o avanço do comércio eletrônico e a pressão por prazos menores.
Dentro desse cenário, a escala 12×36 passa a ser vista como uma forma de ampliar a operação e responder à disputa no mercado de encomendas. A mudança busca dar mais fôlego à estrutura da empresa em momentos de maior demanda.
Com a reorganização dos turnos, a expectativa é que as entregas ganhem mais consistência e se encaixem no padrão esperado pelos consumidores. A empresa também indica que o novo modelo pode ajudar a manter o fluxo de distribuição de forma contínua.
Segundo a estatal, todas as etapas de implementação vão seguir as regras previstas na legislação trabalhista, com manutenção dos direitos dos funcionários.
Atualmente só existem dois tipos de jornada de trabalho dentro da estatal, de 40 horas semanais ou de 44 horas semanais – incluindo turnos e plantões na área operacional.
Entenda reorganização dos Correios
Com o objetivo de reduzir os déficits registrados desde 2022, os Correios divulgaram no fim de dezembro o seu plano de reestruturação da companhia com previsão de fechar 16% das agências da estatal, o que representa cerca de mil das 6 mil unidades próprias em todo o país, além de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) envolvendo 15 mil funcionários até 2027.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse que o PDV como parte do processo de reestruturação da companhia deve gerar economia anual de R$ 2,1 bilhões.
Segundo Rondon, o plano de recuperação da estatal será dividido em três partes:
- Recuperação de liquidez no caixa da empresa (curto prazo); com o uso dos recursos emprestados para cumprir compromissos e recuperar qualidade na operação;
- Reorganização e modernização (médio prazo); com estabelecimento de metas de produtividade a partir de janeiro de 2026; criação de planos de demissão voluntária, revisão de planos de previdência, fechamento de unidades deficitárias respeitando o plano de universalização do serviço postal, venda de imóveis e modernização tecnológica da área logística;
- Modernização esquemática do negócio (longo prazo); com contratação de uma consultoria externa para avaliar novas possibilidades de rearranjo societário, como transformação da companhia de uma empresa estatal para uma de capital misto, a exemplo de outras como a Petrobras.
O plano de reestruturação será acompanhado por uma estrutura de governança própria já estabelecida.
As áreas executivas responsáveis pelas mudanças apresentarão relatórios mensais a serem avaliados pelo Conselho de Administração da companhia, pelo CGPAR (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União) e pelo Ministério das Comunicações.
Privatização está descartada no momento
Rondon também falou sobre uma possível mudança no arranjo societário da companhia, mas descartou a possibilidade de uma privatização dos Correios.
“Hoje não tem o olhar sobre privatização, mas tem o olhar sobre parcerias, inclusive societárias. Tem exemplos de sociedade economia mista, funciona. Tem exemplos em que não há sociedade economia mista, mas há parcerias específicas para temas relevantes, como negócios financeiros e seguridade. A gente também está enxergando dessa forma. O que a gente espera que a consultoria nos traga são estudos que casem com a realidade da empresa no contexto que a gente está”, declarou.
Atualmente, a companhia é 100% pública, mas avalia a possibilidade de abrir seu capital transformando-a, por exemplo, em uma companhia de economia mista, como é hoje a Petrobras e o Banco do Brasil.
Captação de R$ 12 bilhões em empréstimo
A companhia informou ainda que tomou um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos para reforçar o caixa, assinado em dezembro.
Em fevereiro de 2026, o governo autorizou mais R$ 8 bilhões em crédito – completando então um pacote total de R$ 20 bilhões em financiamento para a estatal.
De acordo com a estatal, um diagnóstico identificou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025, além da queda acentuada nos indicadores de qualidade e liquidez.
“A correção de rota precisa ser feita de forma rápida”, afirmou Rondon, que assumiu o cargo em setembro deste ano prometendo “restaurar o orgulho e a eficiência dos Correios” e sob a expectativa também de modernizar a entidade.
