16/03/2011 - 6:55
Uma corte paquistanesa libertou nesta quarta-feira o americano Raymond Davis, funcionário da agência de inteligência americana (CIA), depois de exigir uma indenização financeira para as famílias das duas pessoas que ele teria assassinado, informou um ministro do governo local de Lahore.
“As famílias dos dois homens mortos declararam solenemente ante o tribunal que concediam seu perdão a Raymond Davis”, declarou Rana Sanaullah, ministro da Justiça da província de Pendjab ao vivo no canal de tv paquistanesa Geo TV.
Esta surpreendente decisão acontece num momento em que se especulava sobre a possibilidade de que o tribunal de Lahore, leste do país, condenaria Davis, que se encontra numa prisão de segurança máxima, por um duplo homicídio.
Esta decisão é capaz, por outro lado, de normalizar as tensas relações entre Washington (que reclamava a imunidad diplomática de Davis) e Islamabad, seu aliado na chamada “guerra contra o terrorismo”, mas, por outro, pode irritar a opinião pública paquistanesa, majoritariamente antiamericana e que queria que o “espião americano” fosse julgado e, inclusive, enforcado.
Em 27 de janeiro, em plena luz do dia, o ex-membro das forças especiais americano, contratado pela CIA, segundo fontes paquistanesas, matou dois jovens motociclistas com vários disparos, incluindo alguns pelas costas, convencido de que os motociclistas queriam atacá-lo.
Os investigadores concluíram que Davis cometeu “dois assassinatos a sangue frio”.
Os mais altos dirigentes dos Estados Unidos, incluindo o presidente Barack Obama, alegaram imunidade diplomática de Davis e exigiram sua libertação.
Por sua parte, o governo paquistanês, pressionado pelas manifestações quase diárias, jamais se pronunciou sobre o status do acusado.
Desde o final de janeiro, vários tribunais foram adiando as audiências e decisões sobre Davis, alegando que Islamabad ainda não havia confirmado se Davis dispunha ou não de passaporte e visto diplomáticos.
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