11/05/2026 - 15:49
O diretor de regulação do Banco Central (BC), Gilneu Francisco Astolfi Vivan, disse nesta segunda-feira, 11, que o Brasil ainda enfrenta o desafio de mudar sua estrutura do financiamento imobiliário. Historicamente realizado com recursos da poupança, o crédito para aquisição de imóveis conta com cada vez menos fundos.
“A poupança que a gente tem hoje chega a 6% do PIB. Ou seja, se queremos chegar a 30% do PIB ou um número qualquer que seja mais próximo dos países de renda média, a gente precisa achar um outro tipo de funding”, disse Vivan.
Com uma ampliação da educação financeira dos brasileiros nos últimos anos, cada vez mais a população tem trocado a poupança por outros investimentos seguros com rendimento maior, como os títulos do Tesouro Nacional. Vivan explicou que alternativas criadas pelas instituições financeiras passaram a incluir tetos mais baixos para o valor máximo dos imóveis financiados, além de elevar as taxas de juros.
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Menor dependência da poupança no crédito imobiliário
As mudanças no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), anunciadas pelo governo federal em outubro do ano passado, representam um novo modelo de configuração do crédito. A implementação total do novo modelo está prevista para 2027, com 2026 servindo como período de transição. O principal conceito que o modelo traz é que “o recurso que vai suportar a carteira de crédito imobiliário não é mais a poupança, vai ser a captação no mercado de capitais” diz Vivan.
Segundo o o diretor de regulação do Banco Central, “o banco, quando for gerar uma carteira de crédito imobiliário, ele não vai olhar para a poupança como recurso para fazer aquela carteira. Ele (banco) vai captar no mercado o recurso para gerar o crédito imobiliário. A poupança entra para ajudar a reduzir a taxa de juros que a pessoa vai pagar no empréstimo que ela fez”, diz Gilneu Francisco Astolfi Vivan.
Bancos
O diretor explica que o banco vai captar o recurso no mercado e, ao mesmo tempo, vai poder, por um período, usar o dinheiro da poupança para aplicar no mercado. E aquele ganho que ele vai ter vai ser direcionado para reduzir o custo daquela operação de crédito.
Com novas regulamentações, cada vez mais recursos emitidos via letras de crédito passarão a compor os fundos utilizados para o crédito imobiliário.
Vivan explicou, no entanto, que o período para que as mudanças tornem-se um custo mais barato de crédito imobiliário levará um período mais longo, de cerca de dez a quinze anos. Ao logo deste tempo, as instituições financeiras irão se adaptar a nova estrutura.
“O banco vai aprender esse novo mundo onde ele vai participar, ou seja, ele tem que melhorar os seus controles de risco, entender como é que ele trabalha com uma letra de crédito para uma carteira de 30 anos e ao mesmo tempo como é que ele investe aquele dinheiro da poupança para compor os ganhos dele”, explicou o diretor do BC.
