Contratar crédito para pagar dívidas anteriores foi uma prática adotada por 81% dos inadimplentes entrevistados em pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise Pesquisas. Para 25%, esse recurso é utilizado mensalmente.

O levantamento ouviu 609 pessoas com contas atrasadas há mais de três meses, nas capitais brasileiras, entre 6 e 17 de março de 2026. Os resultados descrevem esse grupo, sem representar o comportamento de toda a população.

Novo crédito pode adiar o pagamento sem reduzir a dívida

A prática envolve contratar um empréstimo para quitar outro ou utilizar modalidades como cartão de crédito e cheque especial para cobrir compromissos anteriores.

A troca não implica, por si só, redução do endividamento. Se o novo crédito tiver juros elevados, o consumidor pode ampliar o prazo disponível e terminar com um custo total maior.

Para José César da Costa, presidente da CNDL, essas operações podem transformar uma dificuldade temporária de caixa em um problema persistente. Na avaliação dele, o alívio imediato nem sempre vem acompanhado de uma solução para os compromissos acumulados.

Conhecimento financeiro não se traduz em controle do orçamento

Embora a maioria avalie seus conhecimentos financeiros entre regulares e ótimos, 48% dos entrevistados não fazem um controle efetivo do orçamento.

Parte acompanha apenas o extrato bancário ou tenta lembrar os gastos de cabeça. A falta de disciplina para registrar despesas e a desmotivação diante de resultados lentos aparecem entre as dificuldades relatadas.

A pesquisa aponta uma distância entre conhecer práticas de organização financeira e conseguir incorporá-las à rotina.

Vergonha e compras por impulso dificultam reorganização

Os entrevistados relataram comportamentos que podem comprometer a recuperação financeira. Entre eles estão a perda de motivação para economizar e as compras por impulso após períodos de privação.

O endividamento alcança as relações pessoais. Mais da metade dos participantes afirmou já ter escondido uma compra ou o valor de uma dívida de familiares ou pessoas próximas por vergonha.

Esses relatos mostram que a inadimplência envolve dificuldades de comportamento e comunicação, além da insuficiência de recursos para pagar as contas.

Mudanças de hábito não comprovam redução das dívidas

A ampla maioria afirmou ter mudado a administração do dinheiro após ficar inadimplente. O controle das despesas domésticas e a decisão de pensar antes de comprar estiveram entre as mudanças mais citadas. Pesquisar preços e restringir o uso do cartão de crédito foram outras medidas relatadas.

O estudo, porém, não demonstra se essas iniciativas reduziram o saldo devedor. Organizar os gastos não elimina automaticamente parcelas e juros já contratados.

Entre os participantes, o uso recorrente de crédito para quitar compromissos anteriores permanece como sinal da dificuldade de ajustar o pagamento das dívidas à renda disponível.

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