14/01/2003 - 8:00
O ano de 2002 não vai deixar saudades para as categorias de fundos DI e renda fixa. Esse foi o ano em que o mercado financeiro sofreu uma de suas maiores crises, o ano da marcação a mercado nos fundos e o ano em que, pela primeira vez em todo o governo Fernando Henrique Cardoso, a indústria recuou dos R$ 320 bilhões captados para R$ 300 bilhões. Espera-se que 2003 seja a redenção.
Passadas as incertezas eleitorais iniciais, essa categoria de fundos voltou a crescer. Em novembro de 2002, por exemplo, a indústria captou R$ 2 bilhões, driblando a tendência de queda sucessiva. ?Após as eleições, o mercado mudou de cara e o PT deixou claro que manterá o compromisso com a inflação?, diz Eduardo Castro, gestor de renda fixa do ABN Asset Management.
A injeção de ânimo e confiança no mercado financeiro foi a senha para que os investidores tornassem a aplicar. Mas a tendência é que essa linha continue tênue. Quem sempre esteve acostumado a ganhar aplicando nos chamados fundos mais conservadores, teve em 2002 uma média de ganho em torno de 6% a 7% acima da inflação. Para este ano, as previsões apontam para um ganho real de 8% a 10%. A maioria dos analistas financeiros indica que a melhor alternativa é investir em carteiras pré-fixadas. ?O mercado acredita em uma queda na taxa básica de juros em abril?, diz Castro. Entretanto, se isso não acontecer e a Selic continuar subindo, a saída é aplicar em papéis pós-fixados. ?Eu aconselharia a colocar 100% da carteira em pós-fixado?, diz Francisco Correa da Costa, sócio da GAP Asset Management. É sempre bom lembrar que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta. O melhor é mesclar os investimentos.
Para os mais arrojados, que não têm medo dos percalços econômicos, uma alternativa seria montar uma carteira com 50% em títulos pós-fixados e os outros 50% em títulos pré-fixados. ?No caso dos mais moderados eu indicaria aplicar 30% em papéis pré-fixados e 70% nos pós-fixados?, diz Marcelo Elaiuy, gestor de renda fixa do Fator. Para esse grupo mais conservador, a melhor opção é aplicar nos fundos DI. Ou seja, naqueles que têm em sua carteira CDBs diários e títulos públicos com vencimentos no curto prazo. Desse modo, o risco é bem menor pois o rendimento e a administração dos papéis dependem menos do nível de acerto do gestor. A previsão de ganho real? 8%. Mesmo assim, seja qual for o seu perfil, o ideal é escolher a dedo o tipo de aplicação e acompanhar de perto os passos do gestor que está cuidando dos seus investimentos.