08/05/2026 - 11:51
A criação de postos de trabalho nos Estados Unidos aumentou mais do que o esperado em abril, segundo dados do governo divulgados nesta sexta-feira, dia 8. Os setores com maior crescimento foram saúde, transporte e armazenamento, e comércio varejista.
A economia americana criou 115.000 novos postos de trabalho em abril, superando as previsões dos analistas, após um ganho de 185.000 postos de trabalho em dado revisado para cima em março. O ganho de empregos em abril ficou bem acima da quantidade de criação de empregos que muitos analistas dizem ser necessária para manter o mercado de trabalho estável. A taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%.
As contratações indicam que o mercado de trabalho dos EUA continua indo bem em um momento em que as pressões inflacionárias estão aumentando devido ao impacto contínuo do aumento do imposto de importação do presidente Donald Trump, juntamente com o aumento dos preços de energia causado pela guerra do Irã.
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Oscilação
O crescimento do emprego nos EUA tem oscilado entre expansão e contração ao longo do último ano, o que gera preocupações sobre a saúde da maior economia do mundo.
Os dados desta sexta-feira superaram as expectativas dos analistas, já que economistas consultados pela Dow Jones Newswires e pelo The Wall Street Journal previam um crescimento de 55 mil empregos.
A cifra provavelmente tranquilizará os dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de que podem manter as taxas de juros inalteradas por ora, já que o encarecimento da energia devido à guerra com o Irã alimenta temores de inflação.
Setores
O setor de saúde tem sido um motor constante de crescimento, à medida que a população dos EUA envelhece e mais pessoas se aposentam, impulsionando a criação de empregos nos últimos meses.
Em abril, o setor criou 37 mil empregos, em linha com a média mensal de 32 mil no último ano, segundo o governo. Os aumentos concentraram-se principalmente em lares de idosos e residências assistidas.
Os empregos no transporte e armazenamento subiram em abril, impulsionados principalmente pelo crescimento no número de entregadores e mensageiros, mas o setor ainda está 105 mil vagas abaixo do pico registrado em fevereiro de 2025.
Desemprego
No governo federal, o emprego continuou em queda. O presidente Donald Trump reduziu o serviço público, fechando agências inteiras e pressionando funcionários federais a pedirem demissão. Foi uma queda de 11,5% (348 mil vagas) em relação ao pico de outubro de 2024.
A taxa de desemprego nos Estados Unidos tem se mantido relativamente estável em torno de 4,3%.
Dan North, economista sênior da Allianz Trade, advertiu que o aumento dos postos de trabalho no país tem dependido em excesso do setor de saúde nos últimos meses.
“Nos últimos 24 meses, o setor de saúde criou 81% dos empregos do setor privado. Todo o resto, 19%”, disse ele à AFP. Essa dependência é algo “muito arriscado”, acrescentou.
Nancy Vanden Houten, economista-chefe para os EUA na Oxford Economics, apontou que, excluindo o setor de saúde, “o crescimento do emprego foi negativo nos últimos 12 meses”.
North afirmou que essa dependência excessiva e o contínuo vaivém do mercado de trabalho são motivo de preocupação, já que o fraco crescimento do emprego envia sinais inquietantes para o conjunto da economia.
“O importante aqui no mercado de trabalho, do jeito que vejo, está abaixo da superfície. Acho que ele é um pouco mais fraco do que a maioria percebe”, declarou.
