09/11/2005 - 8:00
O cinema americano se acostumou a mostrar o Brasil como o paraíso dos ladrões. Era um exagero. Agora, com a chegada da era digital, o País tem, de fato, se consolidado como paraíso dos crimes na Internet. Pelo segundo ano consecutivo, a consultoria britânica mi2g Intelligence Unit colocou o Brasil no topo do ranking mundial de delitos cibernéticos. Foram quase 96 mil ataques neste ano, pelos cálculos dos ingleses, desferidos por hackers brasileiros. Só dentro do espaço virtual brasileiro foram 46 mil crimes digitais ? cerca de 18 mil deles registrados como movimentações ilegais de contas correntes. É um aumento de 688% em relação ao ano passado. Frente a isso, a Polícia Federal se arma. Nas próximas semanas será criada a Divisão de Repressão aos Crimes Cibernéticos. O departamento será a segunda frente de atuação da PF no combate aos hackers, que já tem o Serviço de Perícias em Informática (SPINF). ?É uma caça de gato e rato?, diz Paulo Quintiliano, chefe do SPINF. ?Mas o Brasil tem feito muito bem a lição de casa. Estamos tirando o sono dos hackers?. Na próxima quarta-feira 9, Quintiliano discutirá, no Simpósio Segurança e Informática, em São José dos Campos, novas políticas para a segurança digital. Calcula-se que os crimes na Internet geraram, no ano passado, um prejuízo de US$ 1,4 trilhão em todo o mundo. Para deter essa avalanche o SPFIN tem 74 agentes, que serão reforçados no ano que vem com mais 77 profissionais. O delegado Mauro Marcelo, ex-diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência avisa: ?Esse é o crime do momento?.