O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes,  disse não acreditar que o pedido do procurador-geral da República,  Rodrigo Janot, de transferir a investigação dos chamados “Crimes de  Maio” para a Polícia Federal seja aceito pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ). Na solicitação, o procurador-geral acusa os  investigadores paulistas de “falhas e omissões gravíssimas” no caso.

“Eu  respeito muito o pedido do doutor Janot, mas devo, até por lealdade,  dizer que não acredito que o Superior Tribunal de Justiça julgue  procedente esse pedido porque não foi caso de inércia, não foi caso de  omissão. Houve uma investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo,  acompanhamento do Ministério Público de São Paulo, que, titular da ação  penal, requereu o arquivamento. O Poder Judiciário de São Paulo  determinou arquivamento”, disse.

Cinco homicídios  aconteceram em 14 de maio de 2006 em São Paulo e foram sucedidos por uma  série de assassinatos naquele período durante os ataques do Primeiro  Comando da Capital (PCC) contra as forças de segurança de São Paulo. O  confronto fez 556 mortos, dos quais 59 policiais e outros agentes  públicos.

À época, a polícia instaurou inquéritos para  apurar os fatos, mas concluiu pela ausência de elementos suficientes de  autoria, encaminhando os autos ao Ministério Público do Estado, que  pediu o arquivamento do caso. A Justiça acolheu o pedido e alegou não  haver informações sobre autoria, motivação ou envolvimento de policiais.

Moraes  ressaltou que o caso só deve ser reaberto se novas provas forem  apresentadas. “Todas as etapas legais foram cumpridas. A lei determina  expressamente que só com novas provas, seja deste período, seja de  qualquer outra investigação arquivada, a Secretaria da Segurança Pública  será a primeira a solicitar à Justiça a reabertura do caso. Não é  possível”, disse.

Ele reforçou a posição: “A legislação não  autoriza, nem a constituição, que uma autoridade federal, qualquer que  seja, simplesmente por discordar do posicionamento do Ministério Público  e do Judiciário Estadual, recomece a investigação. Tenho absoluta  convicção de que o STJ vai indeferir esse pedido.”

O  secretário lembrou ainda que outros sete pedidos de transferência de  competência feitos pela Procuradoria-geral da República do âmbito  estadual para o federal foram considerados improcedentes pelo tribunal.