Com o PIB sinalizando um recuo este ano de 3,2% e mais 12 milhões de desempregados, de acordo com os dados oficiais, os brasileiros estão tentando outras formas de ganhar a vida.

Uma saída tem sido empreender no setor de serviços. De acordo com dados do Sebrae, há dois anos o número total de Micro Empreendedores Individuais  (MEI) era de 4,5 milhões. Hoje são mais de 6,5 milhões em todo o País.  Em categorias ligadas à construção civil, caso de pedreiros por exemplo, de 2013 até 2015, dados disponíveis, o número de empreendedores quase dobrou.

“De dois anos para cá reformo apartamentos para garantir renda e completar meu salário de segurança em um cemitério que a coisa está feia, preciso me virar para pagar as contas”, diz Gilberto Nascimento, pedreiro que oferece seus serviços na zona sul de São Paulo.

O presidente do Sebrae nacional, Guilherme Afif Domingues, explica que apesar do mercado retraído, há muita demanda de profissionais qualificados para prestação de serviços. “Veja o caso de seguradoras que oferecem serviços de chaveiro, de encanador e de eletricista. Essas empresas precisam contratar e não tem mão de obra disponível”, afirma. Ele lembra que em um ranking mundial (Global Entrepreneurship Monitor – GEM) sobre empreendorismo, o Brasil está entre os primeiros colocados.

De acordo com o GEM,  quatro em  cada dez brasileiros adultos já possuem ou estão envolvidos com a criação de uma empresa. Em 2015, a taxa de empreendedorismo no País foi de 39,3%, o maior índice dos últimos 14 anos e quase o dobro do registrado em 2002, quando a taxa era de 20,9% de acordo com informações do Sebrae.

A professora de Economia da Fundação Escola de Negócios Álvares Penteado (Fecap), Juliana Inhasz, explica que empreender em um momento de crise e falta de trabalho com carteira assinada pode ser uma saída. “O setor de serviços é o que deve se recuperar com mais rapidez da crise, seguido pelo agropecuário”, diz.