05/03/2010 - 14:33
Poucos setores são considerados tão nocivos ao meio ambiente quanto a indústria química. É justamente essa imagem que a Lanxess Brasil, filial do grupo alemão que atua em segmentos como os de plásticos e borrachas, quer combater. Na terça-feira 9, a empresa inaugura em Porto Feliz, no interior de São Paulo, aquela que será a sua unidade mais verde das 13 que possui em operação no País.
Graças a uma série de iniciativas inéditas no Brasil (leia quadro), a planta vai reduzir, em um ano, a emissão de dióxido de carbono em 44 mil toneladas, número que equivale ao CO2 emitido por uma cidade de cerca de 20 mil habitantes. A iniciativa está alinhada a uma estratégia comercial.

O que é a Lanxess Brasil: Fábricas: 13 unidades espalhadas pelo País
Principais produtos: insumos químicos para os setores de calçados, construção civil e tintas Receita em 2008: ? 529 milhões
A fábrica verde da Lanxess, que consumiu R$ 19,8 milhões em investimentos, tem a missão de melhorar a competitividade da companhia especialmente no mercado internacional. ?A tendência é de que, no futuro, os Estados Unidos e a Europa criem barreiras não tarifárias, baseadas no CO2 gerado na fabricação de cada produto?, aposta Marcelo Lacerda, presidente da filial local da Lanxess.
A escolha da planta de Porto Feliz deve-se ao fato de o local ser responsável pela produção de 43% do óxido de ferro, mais conhecido como ?pó xadrez?, consumido no Brasil. O insumo é considerado estratégico pela empresa devido à sua versatilidade.
Feito a partir de sucata de ferro misturada com ácido sulfúrico, o Pó Xadrez responde por cerca de 15% de toda a receita da filial brasileira. Em sua versão na cor amarela, o insumo dá o tom, digamos, vibrante na tinta que colore a carenagem das robustas máquinas e tratores da americana Caterpillar. Ele também é usado por fabricantes de ferramentas de uso doméstico e industrial.
Além disso, tem larga utilização na construção civil, desde o tingimento de pisos de cimento até efeitos decorativos em fachadas. ?Trata-se de uma matéria-prima nobre pela qual os clientes aceitam pagar um preço mais elevado em relação aos similares?, diz Lacerda.

“Estamos nos antecipando ao imposto verde” Marcelo Lacerda presidente da Lanxess
Outra frente na qual o presidente da Lanxess aposta é o setor de borracha sintética. O objetivo de Lacerda é aprofundar o relacionamento com a indústria de calçados. Hoje, essa divisão fornece a borracha usada na produção das sandálias Havaianas, por exemplo. Agora, ele pretende ampliar seu espaço no nicho de produtos químicos usados para o tratamento do couro.
Com isso, Lacerda espera melhorar ainda mais a performance da filial. Nos últimos cinco anos, a Lanxess Brasil avançou em ritmo acelerado. Ao investir fortemente na diferenciação de seus produtos, uma estratégia tida como vital para quem atua no mercado de commodities, a empresa conseguiu cobrar mais pelos produtos que fabrica, especialmente o óxido de ferro .
?Nosso crescimento tem sido na ordem de dois dígitos a cada ano, desde 2005?, conta Lacerda. Neste período, a contribuição da subsidiária nas receitas globais, de E 6,5 bilhões, saltou de módico 1% para cerca de 10%. ?O Brasil é uma das prioridades da empresa e nossa meta é acompanhar o crescimento da economia local?, disse à DINHEIRO Axel Heitmann, presidente mundial da Lanxess.