O governo de Cuba importará matéria-prima, produtos e ferramentas, num valor de 130 milhões de dólares, para novos pequenos negócios privados, agora permitidos na Ilha. Serão vendidos, no entanto, a partir de 2011 no varejo, ante a incapacidade econômica do país de criar um mercado no atacado, informou nesta sexta-feira o ministério da Economia (MEP).

Enrique Ramos, diretor de Comércio do MEP, precisou ao jornal oficial Granma que 36 milhões dos 130 milhões de dólares vão corresponder à demanda de alimentos nos novos cafés e pequenos restaurantes; o restante será constituído de “material, como ferramentas e equipamentos”.

O governo Raúl Castro autorizou em outubro a abertura de pequenos negócios em 178 atividades, para que ajudem a absorver meio milhão de pessoas que perderão os empregos num processo – até março – de corte de “quadros inflados” de recursos humanos no Estado.

“Trata-se de garantir que não haja obstáculo ao trabalho por conta própria, uma alternativa de emprego para os que se tornarem disponíveis ou para os que, simplesmente, decidirem somar-se a novas atividades”, destacou o jornal Granma.

O comércio varejista sofre com os altos preços e uma oferta deprimida devido aos cortes nas importações, pelo que o fornecimento de insumos é uma das principais preocupações dos futuros pequenos empreendedores.

María Coombs, funcionária do ministério do Trabalho, precisou que das 178 atividades autorizadas, 31 não requerem matérias-primas; 34 necessitam poucas e 113 serão as de maior demanda.

“Não podemos dormir nos louros; nem supor que os recursos aparecerão de um dia para outro. O novo cenário econômico obriga a incrementar os níveis produtivos”, assinalou o Granma.

Além das compras, o governo faz um balanço de seus armazéns para canalizar insumos, originalmente destinados a empresas estatais, ao varejo.

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