13/11/2002 - 8:00
Esta é uma trama que envolve casamento, divórcio forçado e tentativa de reconciliação. Um enredo para novelista nenhum botar defeito. Só que a saga é verdadeira e vem causando uma reviravolta no mercado corporativo, mais precisamente no segmento elétrico de baixa tensão (disjuntores, interruptores, pinos e tomadas). Conheça os personagens: as francesas Schneider e Legrand, a União Européia e fundos de investimento. A história começou em 2001 quando a Schneider pagou
US$ 6,5 bilhões para levar a Legrand, dona da marca Pial. Tudo ia bem até que a União Européia vetou a transação. Diante do impasse, a Schneider repassou o controle da recém-adquirida companhia. Escolheu entregá-la ao consórcio capitaneado pelos fundos Wendel Investissement e o Kohlberg Kravis Roberts & Co. Cientes da pressa da Schneider, os investidores jogaram o preço da Legrand lá em baixo: US$ 3,6 bilhões. Levaram por pouco mais da metade do valor, a dona da Pial, num negócio a ser concretizado em dezembro. Só que há duas semanas, um novo episódio causou reviravolta na trama: a Corte européia revogou o antigo veto. A Schneider agora tem prazo até 10 de dezembro para confirmar a venda ou desistir dela. Se optar pelo resgate da Legrand, pagará multa de US$ 180 milhões aos investidores.
Muitos analistas sustentam que a venda não passou de
um ?acordo de cavalheiros? para facilitar uma decisão favorável na Justiça ? o que, de fato, acabou ocorrendo. Christine Dutriel, porta-voz da Wendel, garantiu à DINHEIRO, no entanto, que a transação foi para valer: ?Todos os nossos investimentos têm perfil de longo prazo?, argumentou. ?Prova disso é que os gestores dos fundos monitoram de perto o dia-a-dia da Legrand?. O Brasil também está no scripit desta ?novela? já que a Legrand é líder no setor de equipamentos elétricos para o segmento predial. Como a Schneider também atua nesta área com a Primelétrica, cujas vendas somam
R$ 20 milhões por ano, ela deverá pedir a bênção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Sem dúvida, está história está longe do fim.