08/09/2000 - 7:00
Lanchas trariam passageiros do aeroporto Santos Dumont, na Baía de Guanabara. Trens e ônibus de luxo chegariam carregados de novos ricos e executivos da Internet que moram na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro. Companhias aéreas migrariam de São Paulo interessadas nos descontos nos aluguéis de lojas e escritórios. Por fim, muitos aviões pediriam permissão para pousos e decolagens. Esse é o Galeão dos sonhos da Infraero. E a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária já está colocando em prática algumas medidas para transformar este cenário em realidade. Com o apoio da Prefeitura do Rio e do governo do Estado, a Infraero quer encher as pistas cariocas com os passageiros e aeronaves retirados de outros dois aeroportos, o Santos Dumont, no centro do Rio, e o de Cumbica, em Guarulhos (SP), o campeão em pousos e decolagens do País. Do primeiro, pensa-se em retirar usuários da ponte aérea Rio?São Paulo e do segundo, alguns vôos internacionais. Para isso, a Infraero está dispcosta a oferecer descontos ou isenção de tarifas comerciais, como as que cobra pelo aluguel de salas e lojas, para empresas dispostas a transferir seus vôos de Cumbica para o Galeão. ?Não vamos mexer, porém, nas tarifas aéreas, como as de embarque?, garante o presidente da Infraero, Fernando Perrone. ?Os incentivos vão compensar os gastos das companhias ?, justifica.
Perrone alega que o consumidor paulista não vai perder o direito a vôos diretos a partir de Guarulhos. O discurso visa evitar turbulências entre os aeroportos do País. ?Queremos atrair apenas os vôos que atendam aos passageiros do Rio e às conexões.? Prova de que ele está preocupado com os efeitos do Plano Galeão está no anúncio feito na semana passada de investimento de R$ 1,1 bilhão em Guarulhos. ?Vamos ampliar os terminais 1 e 2 e construir o 3 em São Paulo?, afirma Perrone. Isso vai significar aumento da capacidade de 15 milhões para 16,5 milhões de usuários/ano até o fim de 2001?, diz.
O confronto dos números evidencia que as pistas cariocas estão aquém das pretensões originais. Faltam passageiros e sobram hangares no Galeão, principalmente depois da inauguração, em fevereiro, do terminal 2, ao custo de R$ 571 milhões. Suas estruturas foram criadas para atender a movimento de 15 milhões de passageiros por ano. Mas por todo o ano de 1999, passaram por ali 5,8 milhões de viajantes. Nos primeiros seis meses deste ano, foram registrados 40.889 pousos e decolagens. Parece muito, mas não é. A apenas 429 quilômetros de distância, o aeroporto de Cumbica teve o dobro deste movimento.
O Plano de Vôo Decola Galeão
O que querem as autoridades
Infraero
A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) vai dar descontos ou isenções nas tarifas comerciais, aquelas cobradas sobre o uso de salas e lojas nos aeroportos, para as empresas aéreas que transferirem vôos do aeroporto de Cumbica (SP) para o Galeão (RJ)
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Prefeitura do Rio
Será criada linha de ônibus luxuosos para ligar a Barra da Tijuca, bairro dos novos ricos e das empresas de Internet, ao Galeão. O objetivo é levar para o Aeroporto Tom Jobim os passageiros da ponte aérea Santos Dumont?Congonhas. Atualmente, 30% dos cariocas que utilizam a ponte aérea vêm da Barra.
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Prefeitura e Infraero
A longo prazo, pretende-se construir uma linha ferroviária entre a Barra da Tijuca e o Galeão, na Ilha do Governador. O governo federal poderá licitar para uso comercial a área do Aeroporto de Jacarepaguá para participar da empreitada.
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Iniciativa Privada
A idéia é retirar do aeroporto Santos Dumont, nas margens da Baía de Guanabara, passageiros para o Galeão, na Ilha do Governador, por meio de ligação náutica. O secretário de Turismo do Rio, Gerard Bourgeaiseau, anuncia a construção de hotel com 220 quartos ao lado do Galeão.
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Governo do Estado
O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, ressalta que o governo reduziu de 30% para 20% a alíquota do ICMS incidente sobre os combustíveis de aviação. “Só essa medida aumentou em 60% o abastecimento de aeronaves no Rio”, calcula Victer.