14/10/2013 - 5:00
Os dados de emprego na indústria referentes ao mês de setembro, que serão conhecidos apenas em 12 de novembro, ajudarão a determinar se o setor entrará em um ciclo de demissões ou se os dados mostrados até agora foram apenas pontuais, abrindo espaço para uma retomada. No ano até agosto, o nível de emprego industrial caiu 1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, essas informações servirão para mostrar como foi a demanda por encomendas para o final de ano.
O economista da MCM Consultores, Leandro Padulla, lembra que o fato do número de horas trabalhadas ter caído mais do que o do nível de pessoal empregado mostra que as indústrias estão evitando demissões à espera de uma possível retomada. ?Se não houver melhora, pode ocorrer um agravamento nos indicadores de emprego até o final do ano?, avalia.

TENDÊNCIA: Emprego na indústria poderá fechar em queda
Setembro também servirá como indicador para o que é possível esperar da atividade econômica no último trimestre. ?A indústria serve para antecipar esse movimento?, diz Otto Nogami, professor de economia do Insper. No entanto, o acadêmico alerta que é necessário olhar os níveis de estoque da indústria.
Os dados de setembro também servirão para mostrar se haverá uma convergência entre o que está sendo mostrado pelo IBGE e pela Confederação Nacional da Indústria (CNA). Segundo o IBGE divulgou na última quinta-feira 10, houve queda de 0,6% na taxa de emprego na indústria em agosto. Já a CNI, no dia anterior, havia mostrado elevação de 0,8%. Uma das razões para essa diferença é o uso de metodologias diferentes, uma vez que IBGE, por exemplo, olha a situação de forma regional ou em um conjunto de dez estados e a CNI avalia todo o território nacional.
No entanto, a própria CNI achou a diferença muito elevada, segundo o gerente-executivo de política econômica da confederação, Flávio Castelo Branco. ?Não sabemos por que houve essa discrepância?, diz. Em sua análise, os últimos meses do ano podem ser melhores, uma vez que o terceiro trimestre sofreu o efeito dos protestos que tomaram conta do país no período. O otimismo do economista está baseado no aumento da confiança dos empresários, em uma taxa de câmbio mais favorável e à expectativa da redução do custo de energia para as empresas.
Com dados conflitantes, alguns economistas acabam por adotar uma postura mais pessimista. Rafael Bacciotti, analista de atividade econômica da Tendências Consultoria, não vê perspectivas de retomada do ritmo de contratações até o final do ano. ?A tendência agora é uma acomodação para baixo?, diz.
Na avaliação de Júlio Gomes de Almeida, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, a queda apontada pelo IBGE é muito elevada e pode revelar uma mudança no perfil da indústria, com a adoção de tecnologia em substituição da mão de obra. Isso porque alguns setores que apresentaram crescimento de produção em 2013 não aumentaram as contratações. Como exemplo cita os segmentos de máquinas e equipamentos, calçados, setor automotivo e de telecomunicações. ?A indústria está sem competitividade e isso faz com que as empresas busquem alternativas, como a automação?, diz.
Leia mais: Emprego industrial cai 0,6% em agosto, segundo o IBGE