Às vésperas da corrida pela presidência da República, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai desembarcar do governo. Ele confirmou em dezembro passado a jornalistas que deixará a cadeira em fevereiro de 2026 para colaborar com a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – a atividade seria incompatível com a função atual, disse o ministro.

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Desde então, e até mesmo antes da informação circular oficialmente, já se articulava nos bastidores o substituto. O candidato natural é Dario Durigan, hoje o secretário-executivo da Pasta, braço direito do ministro na construção do arcabouço fiscal e na aprovação da reforma tributária.

Além dele, outros dois nomes circularam desde o anúncio oficial. Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica da Pasta, próximo às bases teóricas do Partido dos Trabalhadores (PT), e Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional – visto como o “guardião da chave do cofre”. Ceron reforçaria o compromisso técnico com o ajuste fiscal, contudo, a permanência na posição atual é estratégica para dar suporte ao novo ministro.

Mas por que a mudança?

Pela lei eleitoral, os ministros que disputarem as eleições de 2026 têm até 3 de abril do próximo ano para deixarem o cargo. Mas Haddad disse que pretende sair antes para dar tempo ao próximo ocupante de preparar medidas típicas da equipe econômica comuns no começo de cada ano.

O ministro quer que o sucessor prepare a primeira edição de 2026 do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento, em março. O substituto também terá a tarefa de elaborar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que deve ser enviado ao Congresso Nacional até 15 de abril deste ano.

“Manifestei o desejo de colaborar com a campanha do presidente Lula. É incompatível com os requisitos da Fazenda. Não tem como colaborar com a campanha [eleitoral de 2026] no cargo de ministro”, declarou o ministro ao final do ano durante a conversa com jornalistas. Haddad esperou a aprovação, no Legislativo, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, e do projeto de lei que reduz incentivos fiscais para comunicar formalmente a decisão.

O chefe da Fazenda reforçou que “tomou muito cuidado” para falar de seu futuro depois de aprovadas as diretrizes orçamentárias e do sinal verde para as medidas necessárias que garantem um orçamento do governo federal compatível com o que foi aprovado. “Sempre tive a preocupação de que a LDO e o orçamento tivessem consistência interna para que as metas [fiscais] fossem cumpridas”, disse.

O que se especula desde o anúncio, além do nome do substituto, é de que forma Haddad poderá participar da campanha eleitoral. Por ora, o ministro não deu pistas sobre uma eventual candidatura em 2026, e apenas relatou que o presidente Lula lhe disse que respeitaria a decisão que tomasse. Petistas querem que ele tente um cargo eletivo.

Quem é Dario Durigan

Seu substituto natural, Dario Durigan, está na Fazenda desde junho de 2023 e desde então é considerado uma “peça que faltava para a engrenagem funcionar”, informou uma reportagem veiculada pela Folha de S.Paulo neste início de ano. Foram ouvidas onze pessoas da estrutura.

Durigan está no comando interino da Pasta enquanto Haddad está de férias, até 11 de janeiro.

Mais de uma entre essas pessoas dizem que o possível substituto já é o “ministro de fato”, no sentido de dar andamento prático às agendas do órgão, indicou a mesma reportagem. Ele busca manter distância da disputa pelo cargo, e demonstra lealdade a Haddad. O estilo “CEO” de atuar, contudo, também enfrenta críticas. Uma delas é cercar-se de poucas mulheres em um governo defensor de pautas progressistas e com maior representatividade de mulheres e minorias.

Substituindo Haddad na pasta, o número 2 da Fazenda comentou nesta sexta-feira, 9, em publicação da pasta no X, o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025, que fechou o ano em 4,26%. Ele destacou que o dado ficou “dentro da meta e com a 5ª menor inflação desde 1995”.

“Com a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do trabalho e quedas da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não tenham dúvidas: em 2026 não será diferente!”, completou o secretário e provável futuro ministro.