19/03/2008 - 7:00
OS 429 QUILÔMETROS QUE separam o Rio de Janeiro de São Paulo nunca pareceram tão curtos. É assim que o Banco CR2, com ativos de R$ 70 milhões, encara a mudança das areias cariocas para a cidade dos aranha-céus. Na base paulista ficará a área comercial, caminho percorrido pelo Banco Prosper há três anos. No ano passado, o Prosper ? R$ 1,1 bilhão em ativos ? fez um reforço na sua equipe paulistana. O objetivo das duas instituições é se aproximar do centro financeiro do País para incrementar a carteira de crédito. E a missão já tem alvo certo: as pequenas e médias empresas.

AVANÇO DOS CARIOCAS Coutinho (à esq.) e Gonçalves (centro), do CR2, e Echternacht (à dir.), do Prosper, buscam um mercado de 5,4 milhões de empresas
Na busca pela sua ilha particular no oceano financeiro, o CR2 quer fugir dos grandes tubarões e se diferenciar no momento da oferta. Em vez de bater na porta das maiores empresas, a instituição carioca está pronta para abocanhar um mercado de 5,4 milhões de pequenas e médias companhias. E quer, a partir daí, fazer o trabalho de estilista. O CR2 vai costurar o empréstimo sob medida, ajustando taxa e quantia conforme o risco desse cliente. ?Somos os camiseiros contra as grandes lojas?, diz Marcello Gonçalves, ex-presidente da Assurant Seguradora, contratado para liderar a área comercial do banco. A estratégia do CR2 é colocar especialistas para analisar cada um dos setores onde a empresa irá atuar. O agropecuário, um dos mais importantes na carteira, foi reforçado com a contratação de dois engenheiros agrônomos.
Fazer créditos ajustados é um aprendizado que o Prosper está colocando em prática. Lá, ao invés de montar o empréstimo conforme a solicitação das médias empresas, o banco só realiza a operação após conseguir, na outra ponta, alguma instituição ? um fundo de pensão ou de investimentos — interessada pela compra de sua carteira de crédito. ?O crédito só nasce quando está vendido?, diz Marcos Henrique Echternacht, diretor comercial do banco. A estratégia resultou em um salto nos empréstimos. Eram R$ 60 milhões em 2004 e chegaram a R$ 730 milhões no final do ano passado. A diferença é que, atualmente, 80% dessa carteira é vendida, enquanto há três anos o Prosper ficava com 67% do seu crédito.
O Banco CR2 quer trilhar o mesmo caminho da área imobiliária, que ganhou vida própria e estreou na Bovespa em 2007. ?Para não haver conflito de interesse, o Banco CR2 não faz nenhum tipo de operações com a CR2 Imobiliária?, diz Cláudio Coutinho, o comandante do banco. A abertura de capital é considerado o ponto final nesse novo plano de negócio. O Prosper já foi sondado por alguns bancos de investimento, mas ainda não fez planos para ir a mercado.