10/06/2009 - 7:00

“Já estamos em negociações bem adiantadas para adquirir uma empresa fora do Brasil” MARCO STEFANINI, FUNDADOR DA STEFANNI IT
AOS 17 ANOS DE IDADE, Marco Stefanini estava se preparando para ser geólogo. Mas a crise econômica do início da década de 80 mudou o curso de sua história. A falta de emprego o levou para a área de informática, como trainee no banco Bradesco. Hoje, quase 30 anos depois, Stefanini comanda uma das maiores empresas de consultoria de TI do País, que leva seu nome. “Tenho de agradecer duplamente à crise”, brinca Stefanini. Nos anos 80, porque a recessão o fez mudar de profissão. E atualmente, por ter encontrado o contexto ideal para seu plano de expansão internacional. As aquisições planejadas para 2008 e que não se concretizaram, agora se tornaram mais vantajosas. Com a crise, os preços caíram sensivelmente. A Stefanini IT Solutions está disposta a desembolsar até US$ 150 milhões em compras fora do País nos próximos meses. “Já estamos com negociações bem adiantadas”, sinaliza Stefanini. A meta é adquirir companhias com foco em serviços e faturamento acima de US$ 30 milhões. “Os EUA são nosso objetivo principal por ser o maior mercado do mundo. Mas nada nos impede de fechar negócios também na América Latina”, afirma o executivo. Aqui dentro, a crise também não prejudicou os negócios. A consultoria encerrou o primeiro trimestre de 2009 com receita 32% superior ao mesmo período do ano passado. Em 2008, seu faturamento chegou a R$ 510 milhões – crescimento de 43% em comparação a 2007.
A estratégia de adquirir uma companhia TI em terras estrangeiras já faz parte dos planos de Stefanini há algum tempo. Mas, no ano passado, as negociações foram paralisadas em decorrência da crise. “Os preços estavam muito inflacionados. Agora, o mercado está cheio de boas oportunidades”, afirma Daniel Turini, sócio e diretor comercial da Crivo, empresa brasileira de TI. Se os planos de aquisição se concretizarem, Stefanini espera fechar o ano com crescimento entre 50% a 60%. Presente em 16 países, a consultoria foi pioneira do setor no Brasil a se internacionalizar, em 1996. Hoje, os negócios fora do País já respondem por 22% da receita da empresa. Até 2011, a meta é elevar essa participação para 50%. Há menos de um mês, a Stefanini IT Solutions inaugurou sua terceira fábrica de software no México e seu primeiro grande centro de desenvolvimento fora do Brasil. Além de atuar localmente, a planta atenderá clientes localizados nos EUA, Europa e América Latina. “Alguns anos atrás, o México era mais caro do que o Brasil”, conta Stefanini.

“Hoje o cenário mudou. Apesar de não ter mão de obra tão qualificada, o país tem a vantagem de estar mais próximo dos EUA.”
Como em qualquer processo de internacionalização, a Stefanini pode enfrentar alguns obstáculos. De acordo com Almiro dos Reis Neto, da Franquality Consultores, as diferenças culturais tendem a dificultar a integração da empresa adquirida.
“O brasileiro tem um complexo de terceiro mundista. Já os americanos não costumam baixar a cabeça por mais que tenham fracassado nos negócios”, afirma. Segundo ele, se a empresa não escalar na operação profissionais bem preparados, de acordo com os padrões globais, não irá vencer lá fora. O grande desafio para Stefanini, no entanto, é enfrentar a forte concorrência dos indianos em TI. “Nossa oferta em tecnologia da informação é menor do que a da Índia, mas já é maior do que a de outros países emergentes”, afirma.
Segundo ele, para o Brasil ganhar relevância lá fora nesta área, terá de construir uma marca, melhorar o inglês dos profissionais e reduzir a tributação interna. “Com isso sairemos na frente porque o brasileiro é considerado muito criativo e com uma capacidade de resolver problemas como ninguém.”