A Óleo e Gás Participações (OGPar), antiga OGX, encerrou o primeiro semestre com um lucro líquido consolidado de R$ 516 milhões. Trata-se, sem dúvida, de um alento para a problemática petroleira de Eike Batista, que precisou recorrer à recuperação judicial em outubro do ano passado para evitar que as bilionárias dívidas a levassem à falência. No relatório da diretoria que acompanha os números, a empresa comemora os cortes de custos de produção, mas o verdadeiro impulso para que ela fechasse junho no azul veio de outra parte do balanço: os resultados financeiros e o menor impacto de baixas contábeis.

As vendas da companhia somaram R$ 513,8 milhões entre janeiro e junho, 27% acima dos R$ 405,5 milhões do mesmo período do ano passado. Os custos de produção avançaram em ritmo menor, 19%, para R$ 361,7 milhões. Isso, por si, já fez com que o lucro bruto crescesse 48%, para R$ 152,1 milhões. O problema é que, a partir dessa linha, as despesas operacionais passaram a corroer os ganhos. É verdade que o ritmo foi bem menor. No primeiro semestre deste ano, elas somaram R$ 370,5 milhões – o suficiente para, sem outros elementos, trazer o resultado da OGPar para o vermelho de novo. O montante, porém, é apenas 7% das despesas de R$ 5,4 bilhões lançadas no balanço da empresa no mesmo período do ano passado.

Naquela época, a antiga OGX promoveu uma série de baixas contábeis, os chamados impairments, de projetos cancelados por falta de condições técnicas ou financeiras, no total de R$ 3,6 bilhões. O balanço desta primeira metade de 2014, portanto, se beneficia duplamente. Primeiro, as baixas contábeis foram bem inferiores: R$ 12,6 milhões. Segundo, como a base de comparação do ano passado foi muito pressionada, qualquer fôlego nas contas desse ano já faz uma diferença e tanto.

Ponto de virada

De qualquer modo, até esse ponto do balanço, a OGPar se encaminhava para fechar o semestre com um prejuízo menor – mas ainda assim, no vermelho. O resultado da empresa, antes do desempenho financeiro e dos tributos, ficou negativo em R$ 218,4 milhões. É nesse ponto, que as contas da petroleira ficam, realmente, azuis até o final. Isso porque a empresa obteve um resultado financeiro de R$ 783,6 milhões. O respiro veio de receitas financeiras de R$ 1,4 bilhão, geradas sobretudo por ganhos de variação cambial. Desse total, foram descontados R$ 610,1 milhões de despesas financeiras.

Essa ajuda das receitas financeiras foi fundamental para reverter as contas e trazer o resultado para o azul. O lucro antes de tributos foi de R$ 565,2 milhões. No mesmo período do ano passado, essa linha do balanço apresentava um rombo de R$ 5,9 bilhões. Depois de descontados os impostos, a empresa pode, finalmente, divulgar um lucro líquido consolidado de R$ 516,4 milhões, ante as perdas de R$ 5,5 bilhões do primeiro semestre de 2013.

A petroleira também terminou o período com um caixa positivo de US$ 22 milhões, em linha com os US$ 21 milhões do primeiro trimestre. O problema é que se trata de um caixa relativamente apertado. Entre abril e junho, a companhia consumiu US$ 104 milhões de caixa, sendo US$ 10 milhões apenas para despesas gerais e administrativas e custos correntes. O restante foi para investimentos. É verdade que a cifra é menor que os US$ 162 milhões consumidos pela companhia no primeiro trimestre, mas, ainda assim, se a OGPar continua andando na corda bamba para manter o giro.

Se serve de alento, a antiga OGX terminou junho menos endividada. O total de empréstimos e financiamentos de curto prazo, registrados no passivo circulante, baixou de R$ 9,5 bilhões para R$ 8,7 bilhões.