20/10/2004 - 7:00
Desde que o presidente George Bush (o pai) ganhou a Guerra do Golfo e perdeu a reeleição em 1992 devido ao desemprego em alta, a economia começou a ser vista de outra forma nas campanhas presidenciais americanas. Por isso, acreditam alguns analistas, o que desempatará a corrida pela Casa Branca entre George W. Bush e John Kerry serão as propostas econômicas, principalmente na questão do desemprego. Analise os planos dos dois candidatos para a maior economia do planeta.
AMÉRICA LATINA
? BUSH ? Manterá a política de buscar acordos bilaterais com países e não blocos comerciais, como forma de provocar a cisão em iniciativas tipo Mercosul. Caso seja reeleito, manterá o calendário original para a Alca, cujo estabelecimento está previsto para 2005. Será a ?Alca possível?, ou seja, com ou sem a participação do Brasil, o maior opositor à forma como o acordo está sendo desenhado.
? KERRY ? Para ele, acordos comerciais ?que não ajudem os trabalhadores daqui? devem ser evitados ? o que tem sido interpretado como uma postura protecionista a setores da economia americana. Ele também insiste na inclusão de ?cláusulas sociais? nesses acordos, outra forma de impor barreiras a produtos estrangeiros nos EUA. Em contrapartida, propõe a criação de um fundo de US$ 2,5 bilhões para apoiar programas de educação e saúde na América Latina.
EMPREGOS
? BUSH ? Mesmo depois de queimar quase um milhão de vagas em sua gestão, o atual presidente preserva o pensamento neoliberal, segundo o qual o mercado resolve tudo. Com os cortes nos impostos, as empresas voltam a investir, a economia cresce e os empregos pegam carona. A intervenção governamental
mais forte seria o apoio a programas de retreinamento e requalificação de trabalhadores desempregados.
? KERRY ? Empresas que transferiram linhas de produção para o exterior, em busca de custos mais baixos, receberiam créditos nos impostos quando contratassem novos empregados, reduzindo o impacto dos valores de benefícios, como o seguro-saúde.
IMPOSTOS
? BUSH ? Pretende tornar permanentes os cortes de impostos realizados em seu governo ? só neste ano foram US$ 290 bilhões. Dessa forma, acredita, a economia manteria os níveis de recuperação apresentados nos últimos meses. Até Laura Bush utilizou a idéia em seu discurso na convenção republicana. Citou o caso do dono de uma transportadora de Iowa, que utilizou o dinheiro extra para modernizar sua frota.
? KERRY ? O candidato democrata considera os impostos uma ferramenta para a intervenção social. Sua principal proposta seria aumentar as taxas para os vencimentos superiores a US$ 200 mil anuais. Com o dinheiro arrecadado, investiria em programas educacionais e de apoio à infância. Também pretende taxar os ganhos obtidos pelas empresas que transferiram a produção para o exterior.
SAÚDE
? BUSH ? Seu plano inclui a criação de uma espécie de ?poupança?, que transferiria alguns dos custos para o consumidor. A Previdência continuaria responsável pelas despesas de alto valor com assistência médica, mas essa poupança, baseada em descontos no contracheque dos trabalhadores, cobriria os casos rotineiros.
? KERRY ? De acordo com sua proposta, pequenas empresas teriam incentivos
fiscais se abrissem novas vagas e oferecessem assistência médica aos trabalha-
dores. Os casos mais complexos de atendimento médico, contudo, poderiam ser ressarcidos pelo governo.
ENERGIA
? BUSH ? Com o preço da gasolina disparando, em função da alta do petróleo, o candidato à reeleição sugere foco maior na produção doméstica de óleo. Além disso, incentivos para a compra de carros híbridos e uso de fontes renováveis de energia, como eólica e solar, poderiam ser criados.
? KERRY ? Sua aposta recai sobre o lado da demanda, com o estabelecimento de novos padrões de eficiência no consumo de combustível, tanto para as indústrias como para os automóveis. Os consumidores que comprassem esses veículos receberiam incentivos fiscais.
APOSENTADORIA
? BUSH ? A população com mais de 65 anos deverá dobrar nos próximos 30 anos nos Estados Unidos, provocando forte impacto nas contas da Previdência. Bush propõe que algumas contribuições da Previdência Social sejam transferidas para contas pessoais, cujos recursos poderiam ser investidos de forma mais livre.
? KERRY ? Sem planos específicos, o democrata aventa a possibilidade de fazer
um aporte de recursos na Previdência Social. Também não descarta a limitação de alguns tipos de aposentadoria.