Um juiz ordenou, nesta segunda-feira (30), a prisão preventiva por “homicídio e lesões com fins terroristas” do suspeito de matar um sacristão com um facão, em um ataque a duas igrejas no sul da Espanha – anunciou um tribunal em Madri.

Segundo o juiz Joaquín Gadea, Yassine Kanjaa, um marroquino de 25 anos, atuou de forma “consciente” e escolheu suas vítimas “de forma deliberada”, em um comunicado da Audiência Nacional, uma alta jurisdição encarregada dos casos de terrorismo.

Além do sacristão, o ataque em Algeciras, uma cidade portuária na região de Andaluzia, deixou outros quatro feridos, entre eles, um sacerdote, que foi operado em um hospital e liberado posteriormente.

Após a decisão, o juiz atribuiu ao marroquino os crimes de assassinato e lesões com fins terroristas, o que poderá levar a uma pena de prisão permanente revisável, equivalente à prisão perpétua, informou em um comunicado a Audiência Nacional.

“Nas duas declarações que prestou”, o réu “é capaz de reproduzir essencialmente os aspectos mais importantes de sua ação”, observou o magistrado.

Até o momento, o governo de Pedro Sánchez não se pronunciou oficialmente sobre a natureza dos crimes e não descartou que o suspeito possa ter problemas mentais.

Para Gadea, os eventos podem ser classificados como um “ataque jihadista dirigido” contra “sacerdotes que professam a fé da Igreja Católica”, acrescentando que “pode-se concluir que o investigado teria agido sozinho”, sem “auxílio de terceiros”, e que “não jurou fidelidade a nenhuma organização ou grupo terrorista”.

A polícia, por sua vez, indicou em seu depoimento que o sujeito apresentava “um perfil instável”.

– Mudança radical em “um mês” –

Segundo o Ministério do Interior, o suspeito entrou na última quarta-feira (25) na igreja de San Isidro de Algeciras, onde feriu o padre. Posteriormente, foi “à igreja Nossa Senhora de La Palma, onde depois de causar vários estragos” agrediu o sacristão, que conseguiu fugir, mas foi pego pelo agressor e sofreu “ferimentos mortais”.

Kanjaa, que estava em processo de despejo por situação irregular desde junho, morava perto das igrejas.

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que o suposto agressor nunca esteve “no radar” dos serviços de segurança espanhóis ou de outros países devido à radicalização.

Segundo uma “análise de sua atividade nas redes sociais”, do “conteúdo do seu telefone” e de testemunhas, Kanjaa foi “totalmente radicalizado no terrorismo jihadista (…) após uma doutrinação ideológica que pode ser descrita como rápida”, segundo o comunicado da Audiência Nacional.

Este processo teria ocorrido em “um mês”, já que segundo testemunhas ouvidas pela polícia, até antes disso o suspeito “bebia álcool e fumava haxixe”. Então, ele começou a ouvir “regularmente o Alcorão através de áudios em seu celular”, acrescentou o tribunal.

Um vizinho do suspeito havia relatado à AFP uma versão similar, explicando que o suspeito havia mudado radicalmente há cerca de um mês e meio, deixando a barba crescer e usando apenas uma tradicional vestimenta árabe chamada djellaba.