18/01/2021 - 22:25
A hidroxicloroquina perdeu seu principal defensor. Em uma carta publicada no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia, na França, a equipe do professor Didier Raoult admitiu que o medicamento antimalárico não reduziu a mortalidade de Covid-19. Conclusão a que a OMS já havia chegado há seis meses, justificando na época o fim de todos os ensaios clínicos em andamento.
O médico relembra seu estudo realizado em março passado em 42 pacientes, em que parte foi tratado com cloroquina e outra parte não. “A transferência para a terapia intensiva e a morte não diferiram significativamente entre os grupos”, escreve a equipe do professor de Marselha em sua nova nota.
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Alguns de seus detratores queriam ver essa frase como uma admissão de fracasso. Como o epidemiologista Thibault Fiolet da Universidade de Paris-Saclay que, em um tweet amplamente divulgado ao longo do fim de semana, exclamou: “Incrível! O professor Raoult, que escreve ele mesmo, que seu primeiro ensaio clínico não randomizado (pacientes escolhidos por sorteio) mostra que a hidroxicloroquina NÃO tem eficácia na mortalidade ou na redução da transferência para a terapia intensiva.
Incroyable !
Le Pr Raoult qui écrit lui-même que leur 1er essai clinique non randomisé montre que l'hydroxychloroquine n'a AUCUNE efficacité sur la mortalité ou pour réduire le transfert en soins intensifs
Pour rappel, cet essai (Gautret et al.) a été cité plus de 3500 fois ! pic.twitter.com/lskmtKeVNa
— TheFrenchEpidemiologist🇪🇺 🇫🇷 (@frenchepidemio) January 16, 2021
O uso da droga em grande parte extrapolou o campo científico para se tornar objeto de um debate político em todo o mundo que divide a opinião pública, gerando confrontos violentos, principalmente nas redes sociais.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governo brasileiro vêm incentivando o uso da hidroxicloroquina e da azitromicina como “tratamento precoce” contra a Covid-19. Na semana passada, o Ministério da Saúde lançou um aplicativo no qual incentiva o uso das medicações que não têm eficácia comprovada.
No último sábado, o Twitter chegou a indicar que uma publicação da pasta possui “informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à covid-19”. O conteúdo foi ocultado pela plataforma. No domingo, os pareceres e votos pela aprovação das vacinas Coronavac e de Oxford também refutaram o uso das substâncias e a existência de um “tratamento precoce” baseado em medicamentos comprovadamente ineficazes, como a hidroxicloroquina.
