A defesa da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) pediu ao Supremo  Tribunal Federal (STF) a rejeição da denúncia contra a senadora, nesta  terça-feira, 27. Segundo o advogado da senadora, Rodrigo Mudrovitch, o  caso não possui fundamentos ou provas contra a parlamentar.

“A  denúncia não dedica praticamente uma linha para individualizar a  conduta da senadora Gleisi. Ela é citada em expressões no plural, e isso  não atende a necessidade de individualização da conduta”, alegou.  Mudrovitch criticou a denúncia contra a senadora, que, para ele, se  baseia exclusivamente nas delações premiadas do ex-diretor da Petrobras  Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

“Aos poucos, as  delações desses elementos foram desditas por outros envolvidos e até por  eles mesmos, que mudaram suas versões”, afirmou o jurista. “Esse  processo se baseia na hipótese de que o presidente da Petrobras fez  favores à empresas, sem dizer quais são, para favorecer políticos, e no  final nenhuma denúncia acaba sendo comprovada.”

Corroborando  com a tese, Veronica Abdalla, que representa o marido de Gleisi, o  ex-ministro Paulo Bernardo, criticou a Procuradoria-geral da República.  Segundo ela, a PGR intimou Paulo Roberto mais de uma vez “para chegar à  versão desejada pela acusação”, além de ter aceitado ouvir Youssef sete  vezes, que apresentou versões diferentes.

“Isso não pode  ser tolerado. É a construção de uma hipotética verdade a bel prazer da  acusação”, disse. Para a advogada, as delações não apresentam nenhum  elemento que torne a acusação “minimamente sólida”. A defesa de Gleisi  considera que o caso é uma “injusta perseguição penal”.

“Todos  sabemos o constrangimento de receber uma denúncia do STF”, disse o  advogado. Gleisi e o marido são acusados de terem recebido, em 2010,  vantagem indevida com origem no esquema de corrupção da Petrobras para  financiar a campanha da petista.

“Naquele ano, Gleisi não  era senadora, nem pleiteava cargo. Então era estranho que o presidente  da Petrobras, sem nenhuma empresa ter pedido, realizasse tão voluptuosa  operação”, argumentou o advogado. Já a defesa de Bernardo afirma que,  enquanto ministro, não há nenhum ato de ofício que ele pudesse ter feito  pra solicitar vantagem indevida.

Neste momento, a 2ª Turma  do STF realiza julgamento sobre o recebimento da denúncia contra Gleisi  e o marido da congressista, o ex-ministro do Planejamento Paulo  Bernardo. Os ministros vão decidir se recebem a acusação feita pela  Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornam os dois réus na Lava  Jato. Desde março de 2015, Gleisi e Bernardo são investigados por  suposto recebimento de R$ 1 milhão de propina de contratos firmados  entre empreiteiras e a Petrobras. Eles negam a acusação.

Em  abril, a PF encaminhou indiciamento de Gleisi ao Supremo. Em maio, a  PGR ofereceu a denúncia contra o casal. O caso havia sido pautado para o  final de agosto, mas retirado de pauta pelo próprio relator, ministro  Teori Zavascki.